Depois de ficar pensando em trabalhos que as faculdades pedem - fiquei sabendo que a Santa Marcelina pede para pensar na moda de 50 anos no futuro - e pensei também que eu não teria cacife nenhum para fazer um trabalho de moda no futuro. Porém, teria um cacife (nem tanto, admito) para fazer um trabalho do futuro do cinema. E fiquei pensando sobre como seria, portanto, o futuro do cinema.
Tomei como ponto de partida o ano passado e o ínicio desse ano. E, lógico, usei Avatar como um fator importante na construção do meu futuro cinematográfico. James Cameron sempre afirmou que Avatar iria revolucionar a indústria. Pensando no fato de ter sido filmado todo em 3D, com câmeras especiais para isso; Pensando ainda na hegemonia de bilheteria de todos os tempos e vendo as consequências imediatas do sucesso do filme, chego a conclusão que Avatar pode até não revolucionar, de fato, o cinema, mas pode ser considerado um marco.
Vejamos pelas consequências. Meses depois da estréia, e já comprovada a febre azul que se estendeu por todos os cinemas do globo, a Warner anunciou a conversão de Fúria de Titãs e de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e 2. Ao mesmo tempo, começou uma grande discussão se Transformers 3 seria filmado em 3D ou se seria convertido. E, acima de tudo, uma espécie de richa se desenvolveu entre aqueles que convertem e aqueles que filmam em 3D.
Não entrarei no mérito da qualidade (apesar de ler que as conversões são terríveis). O que me interessou foi que: Nenhum dos anúncios de 3D foi para filmes que não blockbusters. Podemos até dizer que isso seria evidente, que dificilmente um filme lento europeu seria filmado em 3D. Mas é exatamente nessa obviedade que queria chegar para visualizar o meu "futuro do cinema".
Se a tendência permanecer nos próximos anos, as grandes indústrias exigirão cada vez mais tal artificio nos seus filmes (claro, o ingresso é bem mais caro) e as salas adaptadas crescerão cada vez mais. Em contra partida, os filmes que não exigem o apelo do 3D na sua exibição, poderão se tornar cada vez mais segregados em cinemas de centro da cidade. Financiar a tridimensionalidade em filmes que não necessitam tanto dela, seria gastar mais dinheiro em um segmento do cinema que já é fadado à pouca bilheteria. (Basta pensar na animação hoje em dia. Depois da revolução visual de Toy Story, seguida por outros filmes da Pixar, e o correspondente aumento na bilheteria em relação às animações 2D, fez as animações com traços simples serem praticamente extinguidas do circuito abrangente de cinema).
Por isso Avatar é um divisor. Um divisor de gêneros, talvez. A divisão tão execrada por muitos, entre cinema arte e cinema pipoca poderá ser cada vez maior. O futuro da sétima arte está sendo escrito continuamente e a revolução de Cameron se torna cada vez mais próxima de nossos olhos.
Tomei como ponto de partida o ano passado e o ínicio desse ano. E, lógico, usei Avatar como um fator importante na construção do meu futuro cinematográfico. James Cameron sempre afirmou que Avatar iria revolucionar a indústria. Pensando no fato de ter sido filmado todo em 3D, com câmeras especiais para isso; Pensando ainda na hegemonia de bilheteria de todos os tempos e vendo as consequências imediatas do sucesso do filme, chego a conclusão que Avatar pode até não revolucionar, de fato, o cinema, mas pode ser considerado um marco.
Vejamos pelas consequências. Meses depois da estréia, e já comprovada a febre azul que se estendeu por todos os cinemas do globo, a Warner anunciou a conversão de Fúria de Titãs e de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e 2. Ao mesmo tempo, começou uma grande discussão se Transformers 3 seria filmado em 3D ou se seria convertido. E, acima de tudo, uma espécie de richa se desenvolveu entre aqueles que convertem e aqueles que filmam em 3D.
Não entrarei no mérito da qualidade (apesar de ler que as conversões são terríveis). O que me interessou foi que: Nenhum dos anúncios de 3D foi para filmes que não blockbusters. Podemos até dizer que isso seria evidente, que dificilmente um filme lento europeu seria filmado em 3D. Mas é exatamente nessa obviedade que queria chegar para visualizar o meu "futuro do cinema".
Se a tendência permanecer nos próximos anos, as grandes indústrias exigirão cada vez mais tal artificio nos seus filmes (claro, o ingresso é bem mais caro) e as salas adaptadas crescerão cada vez mais. Em contra partida, os filmes que não exigem o apelo do 3D na sua exibição, poderão se tornar cada vez mais segregados em cinemas de centro da cidade. Financiar a tridimensionalidade em filmes que não necessitam tanto dela, seria gastar mais dinheiro em um segmento do cinema que já é fadado à pouca bilheteria. (Basta pensar na animação hoje em dia. Depois da revolução visual de Toy Story, seguida por outros filmes da Pixar, e o correspondente aumento na bilheteria em relação às animações 2D, fez as animações com traços simples serem praticamente extinguidas do circuito abrangente de cinema).
Por isso Avatar é um divisor. Um divisor de gêneros, talvez. A divisão tão execrada por muitos, entre cinema arte e cinema pipoca poderá ser cada vez maior. O futuro da sétima arte está sendo escrito continuamente e a revolução de Cameron se torna cada vez mais próxima de nossos olhos.

5 comentários:
Concordo com a infeliz possibilidade de os filmes que são menos ''caça níqueis'' não fazerem tanto sucesso, acredito também que todo o maquinário ficará mais evoluído, provavelmente não será mais necessário o uso de um óculos para se assistir filmes em 3-D, alguém formulará um design novo mais prático e eficiente.
Mas o contra de toda revolução será o aumento significativo da produção de um filme.... pela garra venenosa do ornitorrinco! o que será das produções independentes!, e os queridos filmes trash!! o 3D deles pode não ser o bastante até para quem gosta do gênero assistir!....é por essa razão que eu defendo os filmes em 2D, existem muitas histórias nas quais a atenção se foca na trama e não nos efeitos visuais.
É provado que desde o surgimento do cinema houveram várias revoluções em relação à tecnologia empregada e que alguns estilos de filmes tombam com o tempo....,,mas eu sentirei falta dos filmes Trash, em que a criatividade será o termo majoritário para definir sua conclusão e sucesso no futuro, o 3D tem lá suas conveniências!
Otimo texto Bispo ,
Realmente a evoluçao do 3D era inevitavel , tendo em vista que o alcance ja esta quase sendo colocado em nossas proprias casas, as TVs 3D estao logo ai !
Realmente o fato do mencionamento ou concretizaçao do 3D para filmes que nao sejam Blockbusters é uma coisa para se pensar ...
Apesar que nao imagino um filme como Babel , por exemplo, em 3D , huahuahua..
Ai vem a questao da evolçao ,
porem no momento acho valido produçoes em 2D que sao convertidas, mesmo sendo terriveis, ja podemos tirar a ideia que 3D é um fator de possivel sucesso ,
mas no momento me contento com um bom filme 2D ,
So uma OBS : imagina Apocalypse Now em 3D , hauhauahuahau
uma coisa para se pensar ,
Cameron, de fato, merece todas as congratulações em relação ao seu feito. Porém, conforme a industria já vinha crescendo, creio eu que era um avanço ivitável, vindo de James ou não!
Com o advento deste divisor de águas se intensificou ou apenas evidenciou a histórica oposição entre conteúdo X estética.
Talvez, devido ao estouro de Avatar, corremos o risco de entrar na era mais indiluível da arte pela arte, e o cinema, cada vez mais irá perdendo sua caracterísca crítica e artística.
Pensar que o 3-D pode tornar-se uma ameaça aos filmes não-Blockbusters só aumentou ainda mais minha aversão à esta tecnologia. Eu vejo o 3-D como uma espécie de bactéria, que só faz bem em pequena quantidade;e quando se multiplica demais começa a prejudicar o organismo todo.
Claro que essa é uma visão de quem não entende quase nada de cinema; a minha área é o teatro!
Adorei a ánalise...
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