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domingo, 11 de abril de 2010

A Revolução




Depois de ficar pensando em trabalhos que as faculdades pedem - fiquei sabendo que a Santa Marcelina pede para pensar na moda de 50 anos no futuro - e pensei também que eu não teria cacife nenhum para fazer um trabalho de moda no futuro. Porém, teria um cacife (nem tanto, admito) para fazer um trabalho do futuro do cinema. E fiquei pensando sobre como seria, portanto, o futuro do cinema.
Tomei como ponto de partida o ano passado e o ínicio desse ano. E, lógico, usei Avatar como um fator importante na construção do meu futuro cinematográfico. James Cameron sempre afirmou que Avatar iria revolucionar a indústria. Pensando no fato de ter sido filmado todo em 3D, com câmeras especiais para isso; Pensando ainda na hegemonia de bilheteria de todos os tempos e vendo as consequências imediatas do sucesso do filme, chego a conclusão que Avatar pode até não revolucionar, de fato, o cinema, mas pode ser considerado um marco.
Vejamos pelas consequências. Meses depois da estréia, e já comprovada a febre azul que se estendeu por todos os cinemas do globo, a Warner anunciou a conversão de Fúria de Titãs e de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e 2. Ao mesmo tempo, começou uma grande discussão se Transformers 3 seria filmado em 3D ou se seria convertido. E, acima de tudo, uma espécie de richa se desenvolveu entre aqueles que convertem e aqueles que filmam em 3D.
Não entrarei no mérito da qualidade (apesar de ler que as conversões são terríveis). O que me interessou foi que: Nenhum dos anúncios de 3D foi para filmes que não blockbusters. Podemos até dizer que isso seria evidente, que dificilmente um filme lento europeu seria filmado em 3D. Mas é exatamente nessa obviedade que queria chegar para visualizar o meu "futuro do cinema".
Se a tendência permanecer nos próximos anos, as grandes indústrias exigirão cada vez mais tal artificio nos seus filmes (claro, o ingresso é bem mais caro) e as salas adaptadas crescerão cada vez mais. Em contra partida, os filmes que não exigem o apelo do 3D na sua exibição, poderão se tornar cada vez mais segregados em cinemas de centro da cidade. Financiar a tridimensionalidade em filmes que não necessitam tanto dela, seria gastar mais dinheiro em um segmento do cinema que já é fadado à pouca bilheteria. (Basta pensar na animação hoje em dia. Depois da revolução visual de Toy Story, seguida por outros filmes da Pixar, e o correspondente aumento na bilheteria em relação às animações 2D, fez as animações com traços simples serem praticamente extinguidas do circuito abrangente de cinema).
Por isso Avatar é um divisor. Um divisor de gêneros, talvez. A divisão tão execrada por muitos, entre cinema arte e cinema pipoca poderá ser cada vez maior. O futuro da sétima arte está sendo escrito continuamente e a revolução de Cameron se torna cada vez mais próxima de nossos olhos.