quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O primeiro filme que te fez chorar.

Minha irmã chega da escola hoje com uma cara de choro. Minha mãe pergunta o que aconteceu e ela, relutante em dizer o que, responde com um "nada". Minha mãe, como toda mãe, percebeu que o "nada" não era tão "nada" assim e insistiu na pergunta mais uma vez. Sem necessidade de insistir mais minha irmã logo respondeu, "é que hoje assistimos A Corrente do Bem na escola", e começou a chorar. De imediato a reação de todos na cozinha foi rir. Perguntamos o porquê dela estar chorando e ela responde, com toda a inocência de uma menina de 11 anos, "é que é um fato de uma pessoa real!". E o choro aumenta exponencialmente. 
A Vitória, a irmã de quem vos fala, protagonista da cena descrita acima, sempre foi bastante emotiva em filmes e desenhos. Sempre se emociona com os personagens sofrendo, até mesmo nas animações mais bobas. Como irmão mais velho eu represento meu papel de "zuar" com a cara dela, enquanto ela chora. Mas a verdade é que admiro a capacidade das pessoas em se emocionar com filmes. Eu considero uma virtude, se emocionar perante uma cena demonstra uma relação de espectador - obra tão sincera com aquilo que se vê, que não me faz pensar em uma forma tão genuína de sentir a arte, por menos "arte" que consideremos aquilo. E depois que a consolamos e rimos mais um pouco, eu disse para ela que ela jamais esqueceria desse dia, pois foi o primeiro filme que ela chorou e que realmente sentiu o peso do drama do mesmo (inclusive fazendo ela refletir até mesmo horas depois que ela assistiu, algo que a maior parte das animações e filmes mais bobos não faz). 
Esse fato, instantaneamente, me fez lembrar do meu primeiro filme em que chorei. O filme se chama Meu Cachorro Skip, sobre um garoto que ganha de presente de aniversário um cachorro, de nome Skip (incrível!). O cachorro acaba por ser seu único grande amigo e o filme acompanha os dois ao longo da infância, da adolescência e da juventude do garoto, quando ele vai para a guerra, e deixa o cachorro - já velho - na casa dos pais. Ao voltar da guerra recebe a notícia que o cachorro estava morto. Como se pode perceber é uma história bastante simples, mas que me emocionou muito quando criança. Lembro de ter saído do quarto dos meus pais, onde estava assistindo, e me fez ir à sala deitar no colo da minha mãe e chorar, tal como fez a minha irmã. Infelizmente, depois desse filme, inexplicavelmente, criei um barreira emocional quanto à chorar em filmes. E poucos, muito poucos, tiveram a façanha de me fazer lacrimejar, ao menos. Por isso, na minha lista mental de filmes, aqueles os quais conseguiram me emocionar, eu os considero grandes filmes. Na Natureza Selvagem e As Aventuras de Pi foram os filmes recentes que mais conseguiram isso.
Enfim, acho que todos nós devemos ter essa imagem de "primeiro filme em que chorei pra valer e que me fez pensar por dias". Aliás, talvez seja até mesmo importante, na nossa formação enquanto crianças, haver esse primeiro contato com a tristeza por uma obra audiovisual. Não entendo de psicologia, mas conversei com outro amigo que diz ter também a sua imagem de primeira emoção real ao ver um filme. Me deu vontade de escrever esse post e guardar o momento para a posteridade. E, como um irmão que faz a irmã mais nova gostar de tudo (ou quase) que ele gosta, fiquei feliz por ter presenciado esse momento com ela. 




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