Minha irmã chega da escola hoje com uma cara de choro. Minha mãe pergunta o que aconteceu e ela, relutante em dizer o que, responde com um "nada". Minha mãe, como toda mãe, percebeu que o "nada" não era tão "nada" assim e insistiu na pergunta mais uma vez. Sem necessidade de insistir mais minha irmã logo respondeu, "é que hoje assistimos A Corrente do Bem na escola", e começou a chorar. De imediato a reação de todos na cozinha foi rir. Perguntamos o porquê dela estar chorando e ela responde, com toda a inocência de uma menina de 11 anos, "é que é um fato de uma pessoa real!". E o choro aumenta exponencialmente.
A Vitória, a irmã de quem vos fala, protagonista da cena descrita acima, sempre foi bastante emotiva em filmes e desenhos. Sempre se emociona com os personagens sofrendo, até mesmo nas animações mais bobas. Como irmão mais velho eu represento meu papel de "zuar" com a cara dela, enquanto ela chora. Mas a verdade é que admiro a capacidade das pessoas em se emocionar com filmes. Eu considero uma virtude, se emocionar perante uma cena demonstra uma relação de espectador - obra tão sincera com aquilo que se vê, que não me faz pensar em uma forma tão genuína de sentir a arte, por menos "arte" que consideremos aquilo. E depois que a consolamos e rimos mais um pouco, eu disse para ela que ela jamais esqueceria desse dia, pois foi o primeiro filme que ela chorou e que realmente sentiu o peso do drama do mesmo (inclusive fazendo ela refletir até mesmo horas depois que ela assistiu, algo que a maior parte das animações e filmes mais bobos não faz).
Esse fato, instantaneamente, me fez lembrar do meu primeiro filme em que chorei. O filme se chama Meu Cachorro Skip, sobre um garoto que ganha de presente de aniversário um cachorro, de nome Skip (incrível!). O cachorro acaba por ser seu único grande amigo e o filme acompanha os dois ao longo da infância, da adolescência e da juventude do garoto, quando ele vai para a guerra, e deixa o cachorro - já velho - na casa dos pais. Ao voltar da guerra recebe a notícia que o cachorro estava morto. Como se pode perceber é uma história bastante simples, mas que me emocionou muito quando criança. Lembro de ter saído do quarto dos meus pais, onde estava assistindo, e me fez ir à sala deitar no colo da minha mãe e chorar, tal como fez a minha irmã. Infelizmente, depois desse filme, inexplicavelmente, criei um barreira emocional quanto à chorar em filmes. E poucos, muito poucos, tiveram a façanha de me fazer lacrimejar, ao menos. Por isso, na minha lista mental de filmes, aqueles os quais conseguiram me emocionar, eu os considero grandes filmes. Na Natureza Selvagem e As Aventuras de Pi foram os filmes recentes que mais conseguiram isso.
Enfim, acho que todos nós devemos ter essa imagem de "primeiro filme em que chorei pra valer e que me fez pensar por dias". Aliás, talvez seja até mesmo importante, na nossa formação enquanto crianças, haver esse primeiro contato com a tristeza por uma obra audiovisual. Não entendo de psicologia, mas conversei com outro amigo que diz ter também a sua imagem de primeira emoção real ao ver um filme. Me deu vontade de escrever esse post e guardar o momento para a posteridade. E, como um irmão que faz a irmã mais nova gostar de tudo (ou quase) que ele gosta, fiquei feliz por ter presenciado esse momento com ela.
Enfim, acho que todos nós devemos ter essa imagem de "primeiro filme em que chorei pra valer e que me fez pensar por dias". Aliás, talvez seja até mesmo importante, na nossa formação enquanto crianças, haver esse primeiro contato com a tristeza por uma obra audiovisual. Não entendo de psicologia, mas conversei com outro amigo que diz ter também a sua imagem de primeira emoção real ao ver um filme. Me deu vontade de escrever esse post e guardar o momento para a posteridade. E, como um irmão que faz a irmã mais nova gostar de tudo (ou quase) que ele gosta, fiquei feliz por ter presenciado esse momento com ela.


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