Encontrei mais um tempo para escrever aqui. Voltei esses dias de viagem. Percorri a Alemanha, a República Tcheca e a Polônia. O roteiro foi exatamente: Munique, Praga, Varsóvia, Berlim e Dusseldorf, de onde pegamos o avião para voltar para Porto, por isso só fiquei dentro da estação de trem da cidade praticamente.
Gostaria de tecer aqui alguns comentários a cerca de cada cidade, de como foi a viagem, das impressões que tive. Para começar, Munique foi um choque, no melhor sentido que isso pode significar. Claro que temos muitos conceitos previamente formados dos lugares pelos quais vamos passar, mas a Alemanha foi além destes conceitos. Ah, antes de mais nada, preciso comentar como foi antes de chegar em Munique. Viajamos pela Ryanair (empresa low cost daqui da Europa) para a Alemanha. No entanto, a Ryanair, muito "malandramente" coloca os seus voos em aeroportos pequenos muito próximos das grandes cidades que os turistas estão interessados em ir. Neste caso, o aeroporto de Munique não era bem o aeroporto de Munique e sim o aeroporto (rural) de Memmingen, relativamente próximo de Munique. Descobrimos essa malandragem da Ryanair uns dias antes de embarcar, então já reservamos um transfer da cidade para Munique, de fato. Contudo, o transfer sairia apenas na manhã do dia seguinte que chegássemos ao aeroporto, logo, teríamos que passar a noite no mesmo. Sucedeu-se que o aeroporto fechava durante a madrugada e ninguém podia ficar dentro dele. Assim, tivemos que procurar um local para nos hospedar. Sorte a nossa foi termos encontrada uma dupla de portuguesas (que me lembraram a dupla que não fala nada com nada do A Vida de Inseto) que haviam perdido o voo de volta para Porto e teriam que ficar na cidade aguardando o próximo voo. Uma delas falava alemão, o que acabaria por ajudar a todos, já que estávamos na mesma situação: procurar um lugar para ficar.
Uma moça do aeroporto nos indicou uma pensão para dormimos aquela noite. Acontece que ao sairmos do aeroporto estava um puta frio alemão, não sei quanto era, mas devia ser de 0 graus para baixo. Andamos pra caramba e nada de achar a maldita da pensão. Quando eu disse que era um aeroporto rural não estava brincando, era realmente no meio do nada. Havia apenas algumas casas ao longo do caminho e muitas pareciam estar fechadas. O nosso campo de visão para o horizonte era apenas uma mancha preta, que descobrimos ser o pasto ao amanhecer, e a outra estrada se via muito ao longe nesse campo de visão. Para completar o cenário bucólico o ar do local era de merda de vaca (e de cavalo), muito forte!
Continuamos andando no meio do nada. Em um dado momento vimos uma luz acesa no que parecia ser um hotel, ou restaurante, e tentamos ver se aquela era a tal da pensão indicada. Entramos, passamos por um estacionamento e demos de cara para uma porta de vidro. Uma porta que dava para ver a parte de dentro da casa, se mostrando um local bastante requintado, com aquela luz meio alaranjada de hotéis caros pra caramba. Entramos e um senhor veio nos atender. Uma das moças portuguesas começou a falar em alemão com ele, mas ele parecia não entender muito da língua. A moça perguntou (creio eu, já que ela estava tentando falar em alemão com o cara) se ele conhecia a tal da pensão, mas como ele não entendia muito pediu para seguirmos ele e falarmos com uma outra moça. Eis que a parte mais surreal da viagem e, com certeza, um dos momentos mais surreais da minha vida, aconteceu.
Ao seguirmos o cara passamos por uma porta de madeira que dava direto para um restaurante, de fato, muito chique. A situação seria normal se não estivessem uns 10 alemães (com aparência de ter 40 anos para cima), reunidos em círculo no restaurante, discutindo em alemão! Quando me deparei com a situação comecei a rir, era inevitável. Quando na vida uma situação destas iria acontecer novamente? Os caras falavam em alemão uns com os outros (óbvio) e eu não entendendo nada, entrando em um hotel chique pra caramba, pra falar sabe-se lá com quem. Como disse minha amiga que estava comigo no momento: eram alemães decidindo o rumo da Europa.
Ao final das contas, encontramos uma moça, que começou a falar em alemão com a portuguesa. Ela parece ter explicado o caminho da pensão. Um outro senhor apareceu, nos explicou novamente e nos levou até a porta (eu acho que ele não nos queria lá, só acho), com uma educação muito alemã (e acreditem, os alemães são educados pra caramba!). Seguimos rumo, mantendo a direção da estrada, que ficava cada vez mais escura. Neste momento comecei a rir novamente, porque as árvores (ainda secas por conta do inverno) começaram a ranger (e eu realmente achei que isso fosse coisa de filme de terror, mas acreditem, não é, elas realmente rangem) o que tornava a situação ainda mais surreal.
Ao final das contas achamos a pensão, participamos como ouvintes de uma negociação de preços em alemão, entre o dono da pensão e a portuguesa. Além disso, descobrimos que um dos amigos do dono sabia falar português, porque ele tem parentes no Rio Grande do Sul (WTF?? QUAIS AS CHANCES?). Dormimos e no dia seguinte saímos bem cedo em direção ao aeroporto para pegar o transfer para Munique, de fato.
Nessa altura já cansei de contar como foi a viagem. Depois volto a escrever mais no blog.
Acho que nunca conseguirei passar para ninguém a sensação de surrealidade que tive ao entrar naquele restaurante com os alemães discutindo. Coisas que ficam na memória.
Até mais.
Vista da janela do quarto da pensão:

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