sábado, 3 de julho de 2010

Sobre Toy Story 3 e Mudanças




Depois de duas tentativas frustradas eu finalmente consegui assistir ao novo filme da Pixar, Toy Story 3. Confesso que antes de ler as críticas e impressões meu medo de ver a Pixar errar era grande, depois de duas obras primas seguidas (Wall-e e Up) a cobrança se torna maior, por isso o medo de não ver um filme à altura do que se espera da casa, sobretudo em uma continuação. Felizmente eu errei.
Toy Story 3 retoma os principais personagens da franquia, alguns poucos são descartados, mas ainda sim lembrados. Utiliza justamente esse descarte para catalisar a trama. Andy, o dono dos brinquedos, está indo para a faculdade e toda sua infância se concentra nos bonecos esquecidos no seu báu. A mudança de vida, de hábitos e o amadurecimento exigem o descarte, a seleção. Quais os bonecos que ele doaria, levaria com ele, deixaria no sotão? A trama do filme se sustenta toda nessa dúvida inicial.
Por uma série de motivos - que caso os contasse já seriam indicados como spoilers - Woody, Buzz e os outros são doados à uma creche. A sensação do lugar ser bom vai aos poucos se dissolvendo à medida que a história vai se demonstrando mais densa do que de fato parece ser. Mais uma vez a Pixar surpreende fazendo tudo o que não se espera de um desenho. Se em Up a velhice era mostrada com cores fortes e alegres, em Toy Story 3 o amadurecimento é sombrio. O momento crucial da mudança, de transpor uma etapa e iniciar outra, além do medo desta etapa não dar certo, é mostrado de uma forma escura.
Evidentemente a história centra-se nos bonecos, mas como dito, tudo o que acontece com eles está ligado à vida de Andy e isto ocorre desde o primeiro filme. Quando Andy se prepara para deixar sua casa e, portanto, passa por um momento de incertezas, os personagens centrais demonstram estas incertezas, seja nas suas atitudades, nos seus pensamentos e até mesmo no seu cotidiano. Inerente ao momento de mudança surge a nostalgia. Lee Unkrich, o diretor, acerta ao inciar o filme com Andy pequeno, ao fundo a música tema de Toy Story (amigo estou aqui...) - venhamos e convenhamos, a nossa geração sabe bem o que ela significa - e aos poucos a música abaixando, se distanciando até o momento que fica inaúdivel. São os ecos da infância que vão se dissipando. Como se ele quisesse dizer ao espectador que cresceu com a franquia: "esquece tudo isso, você cresceu!".
Apesar de todo o clima sombrio que permia a trama ela ainda traz toda a leveza de um filme Pixar. As piadas estão presentes e o filme tem como pontos altos o encontro da boneca Barbie com o Ken e Buzz em sua versão espanhola. Para quem gosta de referências, o filme faz uma ao grande mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro), mostrando como um dos novos personagens um ursinho de pelúcia do filme O Meu Amigo Totoro (outro filme da minha infância). As cenas de ação são extremamente bem elaboradas, com o tempo certo de cada personagem agir e uma trilha sonora muito bem colocada. Além disso, o final possui a sua moral presente, como em todo filme Disney, moral esta muito mais ampla do que apenas o valor da amizade.
E volto a citar Up, que nos faz começar chorando e terminar rindo, Toy Story 3 nos faz começar rindo e terminar chorando. O que me fez encher os olhos de lágrimas é saber que o momento que vivo agora não é muito diferente do que é apresentado no filme. Dentro de alguns meses, provavelmente, estarei vivenciando o mesmo que Andy e tomando a dificil decisão de descartar ou não o meu Woody (um estegossauro chamado Godzilla). É o estranho momento de ver o seu quarto vazio, de saber que aquela sua casa não será mais tanto sua. Ainda assim, será um momento importante, é um momento de amadurecimento que deve ser ultrapassado. O que é antigo, como os bonecos prediletos, não se tornou obsoleto, apenas fez o que deveria no momento determinado. O mais incrivel é que a Pixar mostra em imagens que da infância á velhice, o que sobra dentro de cada um são os brinquedos e, porque não, os nossos velhos conhecidos balões coloridos.


Post sobre Up: http://mosscabranca.blogspot.com/2010/04/estava-assistindo-ao-filme-up-altas.html

6 comentários:

Giovanna Alves disse...

Adorei a resenha! Já estava com muita vontade de ver, e agora ainda mais!
Wall-e e Up! definitivamente me fizeram chorar... E tem gente que acha que é exagero.

Lucas Bispo disse...

A Pixar faz chorar a cada filme mesmo.
Obrigado Gio por comentar aqui!

Anônimo disse...

Que linda análise, Lucas. Vi o filme sem ser uma fã entusiasmada de Toy Story, e de repente, fiquei fascinada! Chorei um pouquinho admito; talvez seja porque nessa fase de transição para a faculdade, tenhamos muito de Andy em nós.
;)

Vivian Espósito disse...

Sim! Concordei com cada palavra do seu texto, e como disse a Mari, nunca fui uma fã fervorosa de Toy Story, apesar de todos a minha volta sempre elogiarem muito. Descobri que o que faltava era só a oportunidade de assistir com atenção, e passar a concordar com todos. Esse filme é lindo, assim como quase todos os desenhos Disney e Pixar que já inventaram!
E eu fui alugar o "Whatever works", mas a Veja Vídeo não tem =\\
A Naty me recomendou Juno, esse eu consegui, e gente, tive um brainstorm forte, que filme lindo!
hahah
Bom, agora descobri mais um blog legal pra seguir, pode dar uma olhada no meu se quiser.
=]]

Lucas Bispo disse...

Valeu Mari e Vivian pelos comentários. Pode deixar Vivian, vou ler o seu blog sim.
A Pixar e a Disney tem um histórico invejável de bons filmes.

Bárbara M. disse...

eu amo toy story, eu amo wall-e, up (assisti semana passada), a pixar...chorei mesmooo!
acho que essa coisa tenue, no ar que a pixar tem o dom de fazer, sem prejududicar a força e a importancia daquilo que ela se propoem a passar, é fantástico!