
Quando assisti à versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate de Tim Burton, fiquei impressionado como ele sabia usar o seus recursos mais característicos para refazer e remontar uma história há muito anexada no imaginário popular. Fiquei um tempo depois pensando em quais histórias que, se adaptadas por ele, seriam extremamente legais de se ver. Um deles foi Alice no País das Maravilhas (pensei em O Mágico de Oz também). Depois de um tempo o inevitável, o anúncio da adaptação do clássico de Lewis Carroll nas mãos de Tim Burton!
O que mais se espera em um filme de Tim Burton é, indiscutivelmente, a direção peculiar dele. Existe algo nos filmes que fazem o espectador se encantar, encher os olhos com o que está sendo transmitido. Existe uma simplicidade e, ao mesmo tempo, um requinte no visual dos seus filmes que transbordam a experiência sensorial. Alice possui a marca "Tim Burton" em cada detalhe. Está nas minúsculas portas, nos personagens estranhos, nas árvores retorcidas, na trilha sonora de Danny Elfman, mas infelizmente, não está na essência do filme. A minha ansiedade ao ler o anúncio da adaptação era justamente em pensar que dois universos se completariam tão bem; A peculiaridade citada com a surrealidade de Alice.
Isso não acontece no filme. Pensando no Alice original: porque todos ficamos encantados com a história? Porque simplesmente ali não há lineariade. Os personagens não são fixos, eles são completamente mutáveis. Podem aparecer, desaparecer. Podem se mostrar muito mais vilões do que protagonistas ou vice-versa. Tim Burton peca exatamente nisto. Ao tentar dar uma linearidade para a personagem Alice, e sendo ela a essência do País das Maravilhas, ele dá linearidade para todos os outros personagens. Eles ficam presos ao foco da narrativa da protagonista, ficam presos e submetidos à jornada da heroína em direção à destruição do dragão da Rainha, sua antagonista declarada desde o ínicio. Não há a dúvida quanto ao que de fato nos espera naquele universo, ou seja, não há o surreal, uma vez que no fim das contas, havendo os personagens um objetivo claro, eles se tornam, de certa forma, reais.
Por possuir os detalhes burtonianos, deve-se deixar claro que o filme é extremamente belo em seu visual. Percebe-se um trabalho dedicado em toda a produção técnica do filme, o que faz este ser muito bem recebido visualmente na sala de cinema. Outro ponto interessante de notar é a permanência de uma característica do diretor muito presente em seus filmes recentes. É comum encontrar nos filmes dele críticas à alta sociedade. Analisando os mais recentes, a crítica é evidente. Em Sweeney Todd a aristocracia é citada de forma famigerada, sobretudo, em uma canção, na qual a personagem de Helena Bonham Carter tece comentários sobre o sabor da carne de cada membro da elite inglesa. Alice no País das Maravilhas não se faz diferente, desde o inicio do filme o elemento se apresenta. Aliás, o motivo para Alice seguir o coelho é justamente a não concordância da personagem com a aristocracia. Assunto este que retorna no filme na imagem da Rainha Vermelha e seus súditos. Porém, é apenas uma observação quanto á sua filmografia, uma vez que o filme, por ser em grande parte de apelo infantil, não se propõe à discutir questões como essa.
O que de fato falta é algo mais que não se completa ao visual. Nem mesmo o 3D torna-se o atrativo final para despertar o encanto do espectador - é utilizado basicamente no truque de lançar objetos na tela - e a profundidade tão requerida para um ambiente vasto como o País das Maravilhas não está ali. Além disso, o filme demora para entrar no ritmo certo.
Ironicamente, um dos primeiros nomes cogitados para o filme foi Almost Alice, "Quase Alice" em português. Ao final da sessão, fica a sensação que Alice não consegue, de fato, completar-se.
(Se fosse para dar nota: 7,5)
O que mais se espera em um filme de Tim Burton é, indiscutivelmente, a direção peculiar dele. Existe algo nos filmes que fazem o espectador se encantar, encher os olhos com o que está sendo transmitido. Existe uma simplicidade e, ao mesmo tempo, um requinte no visual dos seus filmes que transbordam a experiência sensorial. Alice possui a marca "Tim Burton" em cada detalhe. Está nas minúsculas portas, nos personagens estranhos, nas árvores retorcidas, na trilha sonora de Danny Elfman, mas infelizmente, não está na essência do filme. A minha ansiedade ao ler o anúncio da adaptação era justamente em pensar que dois universos se completariam tão bem; A peculiaridade citada com a surrealidade de Alice.
Isso não acontece no filme. Pensando no Alice original: porque todos ficamos encantados com a história? Porque simplesmente ali não há lineariade. Os personagens não são fixos, eles são completamente mutáveis. Podem aparecer, desaparecer. Podem se mostrar muito mais vilões do que protagonistas ou vice-versa. Tim Burton peca exatamente nisto. Ao tentar dar uma linearidade para a personagem Alice, e sendo ela a essência do País das Maravilhas, ele dá linearidade para todos os outros personagens. Eles ficam presos ao foco da narrativa da protagonista, ficam presos e submetidos à jornada da heroína em direção à destruição do dragão da Rainha, sua antagonista declarada desde o ínicio. Não há a dúvida quanto ao que de fato nos espera naquele universo, ou seja, não há o surreal, uma vez que no fim das contas, havendo os personagens um objetivo claro, eles se tornam, de certa forma, reais.
Por possuir os detalhes burtonianos, deve-se deixar claro que o filme é extremamente belo em seu visual. Percebe-se um trabalho dedicado em toda a produção técnica do filme, o que faz este ser muito bem recebido visualmente na sala de cinema. Outro ponto interessante de notar é a permanência de uma característica do diretor muito presente em seus filmes recentes. É comum encontrar nos filmes dele críticas à alta sociedade. Analisando os mais recentes, a crítica é evidente. Em Sweeney Todd a aristocracia é citada de forma famigerada, sobretudo, em uma canção, na qual a personagem de Helena Bonham Carter tece comentários sobre o sabor da carne de cada membro da elite inglesa. Alice no País das Maravilhas não se faz diferente, desde o inicio do filme o elemento se apresenta. Aliás, o motivo para Alice seguir o coelho é justamente a não concordância da personagem com a aristocracia. Assunto este que retorna no filme na imagem da Rainha Vermelha e seus súditos. Porém, é apenas uma observação quanto á sua filmografia, uma vez que o filme, por ser em grande parte de apelo infantil, não se propõe à discutir questões como essa.
O que de fato falta é algo mais que não se completa ao visual. Nem mesmo o 3D torna-se o atrativo final para despertar o encanto do espectador - é utilizado basicamente no truque de lançar objetos na tela - e a profundidade tão requerida para um ambiente vasto como o País das Maravilhas não está ali. Além disso, o filme demora para entrar no ritmo certo.
Ironicamente, um dos primeiros nomes cogitados para o filme foi Almost Alice, "Quase Alice" em português. Ao final da sessão, fica a sensação que Alice não consegue, de fato, completar-se.
(Se fosse para dar nota: 7,5)

