quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Fim de ano


Madrugada, dia 23 de Dezembro. A garoa lá fora até torna essa madrugada meio invernosa. Tinha escrito esse texto há muito tempo, mas não tive coragem de colocar ele aqui. Porque não tive coragem? Não sei, o texto não tem nada demais. Talvez não sentisse que era a hora. O Natal, creio eu, é a época perfeita para publica-lô.





Existem assuntos que realmente não possuem uma explicação concreta, algo que defina completamente aquilo que está se discutindo. Nesses casos há apenas uma opinião pessoal, opinião esta que apesar de não poder ser comprovada pode ser discutida e argumentada, ainda que as pessoas discordem. É a FamÔsa frase de Voltaire "Posso não concordar com aquilo que diz, mas defenferei o direito de dize-lâ".
Partindo dessa constatação que iniciarei meu post sobre Deus. Talvez, por achar que hoje sonhei com uma pessoa que não está mais mais entre nós, ou por estar com aquele estranho aperto de fim de tarde no coração, ou simplesmente por querer deixar claro minha opinião neste blog sobre este assunto. Não sei porque, mas me deu vontade de escrever sobre isso.
Costumo dizer que sou uma pessoa que pensa demais. Reflito muito sobre a maioria das coisas que faço, que ouço, que vejo. Já refleti demais sobre a existência do Deus que ouvimos desde pequenos. A imagem de um homem alto, moderadamente velho, com um semblante tranquilo mas extremamente sério. Somos, de certa forma, educados a ter um certo medo desta figura. Ela representa o respeito, a autoridade. "Devemos ter cuidado com o que pensamos e fazemos, pois Deus está olhando tudo."
Cresci e no auge de minha adolescência, assolado pelas inúmeras questões que todo adolescente tem, a figura de Deus surgiu como uma dúvida. Será que de fato ele existe? Me deu medo de ter pensado isso. Como poderia duvidar da existência de Deus? O mais engraçado é que eu mesmo já tinha passado por momentos na vida que não poderia suportar sem pensar na imagem acalentadora de algo maior. Mas, nós seres humanos, ainda mais se adolescentes, possuimos essa característica infalível de usar daquilo que nos faz bem apenas no momento oportuno.
Comecei a ler sobre Deus em uma doutrina específica. Procurei estudar aquilo que me afligia, para poder ver se entendendo ele eu entederia o que a dúvida significava. Ainda estou estudando, como creio que todos os homens fazem. Mas, ao longo destes anos de dúvida eu comecei a formar em minha mente a imagem do que eu considero como Deus. Ainda que a imagem do homem soberano possa não ser real eu fui entendendo que tudo à nossa volta pode ser Deus. O sorriso das pessoas, a organização sistemática da natureza que pulsa a cada segundo. Daquele mar alaranjado pelo nascer e pôr do sol, pelos momentos de simplicidade com as pessoas que eu amo e pela busca de quem eu sou.
Deus não precisa ser alguém, não precisa ser algo. Pode ser simplesmente tudo e ao mesmo tempo pode ser você. Veja bem, não quero fazer apologia a nenhuma religião, não quero que concordem com o que escrevo. Quero apenas deixar claro que se tem alguém me lendo ai do outro lado, e tem essa duvida, que tente pensar em algo mais amplo daquilo que fomos educados desde o começo da vida a pensar.
Em uma palestra sobre drogas na minha escola o palestrante citou a existência de Deus e disse que o mais engraçado era que Deus possui apenas duas vogais: "e" e "u". Eu. Ou seja dentro de nós. Ainda tenho minhas dúvidas, mas, talvez, dentro de cada um de nós haja mesmo parte de Deus. Se todos realmente fazemos parte desse planeta, enquanto animais que somos, estamos organizados nesta teia da vida, fazemos parte desse organismo vivo. E ai, chamar Deus, Allah, Eywa (rs), não faz a menor diferença. Contanto que continuemos acreditando nas pessoas, acreditaremos nessa força maior.

Obs: Espero que tenham entendido.


Desejo um Feliz Natal e um excelente 2011 para todo mundo!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - O Inimigo agora é outro



OBS: Spoilers.
Cinema é, como toda arte, expansão. Na maioria das vezes os filmes se alongam além da sala de cinema ou além do sofá de casa. E, claro, isso varia de filme para filme. Algumas vezes um filme apenas gera um comentário rápido sobre o que o espectador achou do que assistiu, outras vezes a discussão se prolonga tanto que as imagens do filme grudam na cabeça e pedem por mais reflexões. Tropa de Elite talvez seja o filme que mais gerou essa expansão artística nos últimos anos no país. Desde o seu "vazamento" em cópias piratas vendidas nos camelôs até a conquista do Urso de Ouro, em Berlim. Era evidente que a sua sequência não teria menor destino.
Tropa de Elite 2 propõe apresentar algo diferente do que apresentou no antecessor. Dessa vez o protagonista é o Capitão Nascimento. Todo momento ouvimos a voz dele, mesmo que o personagem fique um bom tempo fora de cena.
Ainda que Nascimento não seja, de fato, um herói a construção da personagem ocorre dessa forma. No primeiro filme a personagem é um anti-herói que foi alçado pelos espectadores como um mito. Padilha aproveita dessa visão que o público fez do Capitão e a reverte. Agora assistimos algo bem característico de "segundos filmes" Nascimento questiona a sua função enquanto "herói", nesse caso, enquanto sua função como policial do BOPE. Se em Homem Aranha 2, Peter Parker joga fora sua máscara porque está perdendo seus poderes e em Cavaleiro das Trevas, Batman (um personagem mais semelhante ao Capitão Nascimento) é impedido por Coringa de ser um herói, em Tropa 2 Capitão Nascimento perde sua farda porque o "sistema" o impede de usa-lâ.
Contudo, mesmo sentado em um escritório, com um cargo administrativo e longe da ação factual, o personagem tenta ajustar a situação caótica que se encontra no Rio de Janeiro. À medida que se aprofunda no sistema político, Nascimento percebe que tudo o que combatia no primeiro filme só existe porque algo maior o sustenta, e, por isso, o inimigo agora é outro. Ele combate a parcela mais poderosa do país, aquela que possui o poder político e financeiro e, consequentemente, o poder físico.
Surge no horizonte a politicagem. A ação hipócrita de políticos, da polícia e a ação hipócrita da mídia, os denominados quatro poderes. Nascimento perde o chão quando percebe que combater a corrupção política é muito mais difícil do que entrar em uma favela atirando e matando todos os traficantes presentes nela. E, exatamente por isso, questiona a função que tinha enquanto membro do BOPE. O BOPE, segundo ele mesmo diz, torna-se uma máquina de guerra, torna-se um braço hipertrofiada de um corpo muito mais sofisticado, com um cérebro altamente desenvolvido.
Diante dessa quimera a imagem do Capitão, no filme elevado à Coronel, é subtraída. Surge uma sensação de "estar perdido", uma completa sensação de impotência, incrivelmente transmitida por Wagner Moura. A imagem dele volta a aparecer e fazer-se imponente quando a violência dessa máquina de corrupção, que ele chama de sistema, atinge sua família, em uma cena chave do filme, que pulsa em toda a sala de cinema. Nesse momento o herói se une ao ser humano. Os questionamentos atingem a esfera pública e privada e Nascimento começa a realmente querer destruir tudo o que, de certa forma, ajudou a construir e , assim, encontrar sua redenção. Após permanecer durante boa metade do filme em "silêncio", ele resolve agir.

É impossível assistir ao filme e não sentir crescendo dentro do peito uma sensação monumental de impunidade. Algo que pode ser sentido em todas as eleições quando mais "Sarneys" são eleitos por todo o Brasil, ou então, quando cada escândalo de corrupção é descoberto e simplesmente não é resolvido. O cidadão que assiste ao filme se identifica no Nascimento, justamente, por não saber como resolver um situação que, muitas vezes, ele mesmo ajudou a construir. O que Nascimento faz no final do filme, quando discursa mostrando toda podridão do sistema que combate, é algo que muitos de nós gostariamos de fazer. O plano final de Brasília é extremamente emblemático, a bandeira do Brasil abaixada é emblemática e a voz do herói cinematográfico - que a população democraticamente elegeu por cópias piratas ou não - em cima dessas imagens é emblemática.
Fecha-se os ciclos de comparações heróicas. Batman diz no final de seu filme que não é o melhor herói para Gotham City, mas era o herói que ela precisava ter.Nascimento não é o melhor herói para o Brasil, mas será que é o que precisamos ter?
É a pergunta que nós espectadores e cidadãos retiramos do filme. É a expansão dele. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


domingo, 29 de agosto de 2010

Pessoa




Nada melhor do que as coincidências. Aprender sobre Fernando Pessoa na mesma semana que chega sua exposição à São Paulo é uma dessas coincidências felizes. A exposição, que está no Museu da Língua Portuguesa, utiliza da interatividade para conquistar as pessoas. Ainda assim, a matéria prima da exposição são palavras. As palavras estão por toda parte, no som, nas paredes, em imagens que se esvaem - e se transformam em outras palavras. A palavra está nos olhos das pessoas, que refletem os poemas ali expostos. Somos efetivamente convidados a "Penetrar surdamente no reino das palavras", como diria outro grande modernista.
Enquanto você lê todas aquelas poesias sua mente entra em um certo estado de transe. Entender o que está escrito ali não é necessário, sentir é necessário. Aliás, tema recorrente entre os heterônimos do poeta. A verdade é que tudo nos chama para uma experiência sensorial. O corpo, apesar de ser comandado pelo cérebro, é um organismo, que atua em conjunto. Portanto, para entender não basta racionalizar, tem que sentir!
Surge uma dúvida. Sentir é um ato imediato, seja no quesito emocional seja no físico. Porém, quando fazemos uma simples troca de letras - excluindo o "r" e adicionando o "do" - de certa forma, tudo muda. O Sentir vira Sentido, e consequentemente, surge o raciocinio. Oras, ter sentido é ter significado e para ter significado precisamos raciocinar. Na minha visão bem pessoal a obra de Fernando Pessoa tenta fundir o Sentir e o Sentido. A partir do momento que nos dispomos a entrar em contato com essa obra nos dispomos a unir as duas palavras.
Quando lemos e ouvimos todos os textos utilizamos o físico (para enxergar ou ouvir), usamos o racional (para costurar as palavras do texto) e usamos o sentimento. A forma que a exposição foi feita faz todo sentido se pensarmos por esse lado.
Se era louco, médium ou simplesmente gênio, não sei dizer. Sei que utilizando cada passo que citei acima, para tentar entende-lô, ele cresceu dentro de mim enquanto ser humano. Por ter uma técnica, digamos mais apurada, Fernando Pessoa soube dizer tudo aquilo que sentia e não sentia, ou fingia não sentir. Ele soube fazer jus ao seu sobrenome e se mostrar, acima de tudo, como uma pessoa normal. Porque, venhamos e convenhamos, temos dentro de nós um pouco de cada heterônimo. Todos somos nós mesmos, mas muita vezes preferimos não ser. No fim das contas, todos somos poetas fingidores, com medo demais de mostrar isso para o mundo.

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Permita-me uma brincadeira.

Alguém, em algum momento que aprendi sobre Pessoa, me disse para fazer uma troca de palavras em um de seus poemas. O resultado:

Ó vestibular salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por estudarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas namoradas ficaram por esperar
Para que fosses nosso, ó vestibular!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao vestibular o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Uhauahauaa. Fernando Pessoa é ou não é universal?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dicas para a locadora (1)







A rotina do cursinho impede que os vestibulandos possam se divertir da maneira que se divertiam até entrar no maravilhoso mundo dos pré-vestibulares. Felizmente as férias existem para retomar as atividades de pessoas normais. Alugar inúmeros filmes que já deveriam ter sido vistos é algo importante que retomei nessas férias.
No ínicio dessa semana aluguei Férias Frustradas de Verão (péssimo título nacional, em inglês chama-se Adventureland), Preciosa, e Um Olhar do Paraíso. Três filmes que estava ansioso para ver. Tinha que fazer essa maratona antes de ir viajar e felizmente tive boas experiências ao assisti-lôs.
Estou completamente sem senso de organização hoje para fazer uma crítica específica para estes filmes. Fato é que gostei dos quatro de alguma forma e fazer um texto para cada um me irritaria profundamente (eu estou de férias e mereço descanso das redações também). Portanto, farei comentários breves de cada um.

Adventureland é do mesmo diretor de Superbad - é hoje (porque esses subtítulos existem?) e apresenta James Brennan, um jovem que acabou de se formar na faculdade. Preparado para realizar uma grande viagem pela Europa seus pais o avisam que estão sem dinheiro para bancar a viagem e, principalmente, uma pós gradução. Logo, para conseguir se graduar completamente terá que trabalhar no verão. O filme se passa durante a década de 80 e foca na personalidade do protagonista. James sempre procura organizar planos para tudo o que faz na vida e praticamente não se entrega a nada. Quando inicia seu trabalho no parque de diversões da cidade - lugar movido por sensações imediatas como medo e felicidade - e conhece Em (interpretado por uma Kristen Stewart provando ser algo mais que "a disputada" de Crepúsculo) ele aos poucos vai soltando as amarras que o prendiam tão ferranhamente aos planos. Um filme leve ,exemplar de um tipo de comédia que tem se tornado comum em Hollywood, uma comédia menos espalhafatosa e mais reflexiva.
Preciosa, ao contrário de Adventureland, é um daqueles filmes pesados. Conta a história de Claireece Jones Precious (Gauborey Sidibe), jovem de 16 anos, negra, violentada sexualmente por seu pai, e físico e verbalmente por sua mãe. Cresce analfabeta, obesa e fechada em um mundo muito particular, no qual vive suas fantasias. O diretor Lee Daniels, utiliza dessas fantasias para amenizar a atmosfesa pesada do filme, sobretudo, nos momentos em que Preciosa é agredida. Nelas, ao contrário do mundo real, Preciosa sorri. Com interpretações excelentes de Mo´nique (mãe de Preciosa) e de Gauborey Sidibe.
Um Olhar do Paraíso, por sua vez, narra a história de Susie Salmon, interpretada por Saoirse Ronan (Desejo e Reparação). Adolescente assassinada na décade de 70 e que, por algum motivo, não consegue se desconectar da vida na Terra. Permanece, em um lugar inicialmente identificado como Paraíso, observando sua família e o seu assassino. Dirigido por Peter Jackson, possui um fundo espiritualista muito grande. Com diversos cenários construidos por efeitos especiais (CGI) o filme também tem cores fortes e uma interpretação delicada de Saoirse Ronan.
Acho interessante perceber que esses três filmes retratam adolescentes em uma cronologia semelhante (décadas de 70 e 80) e em um mesmo local, EUA, porém são personagens extremamente diferentes. Enquanto em Um Olhar do Paraíso e Adventureland assistimos a jovens de classe média, média alta, em Preciosa temos o retrato do lado mais problemático da sociedade americana e, de certa forma, do mundo.
Nos três filmes existem mensagens a ser captadas. Pode ser a jornada de auto conhecimento de Adventureland, a crítica social de Preciosa ou a reflexão da vida após a morte de Um Olhar do Paraíso. Mas, tenha certeza, nos três filmes, independente da mensagem mostrada, existe algo em comum. Talvez seja até superficial demais comentar isso, mas nos três o que de fato é valorizado no final são as relações pessoais que as personagens estabelecem. É a história clichê de compartilhar a felicidade com aquelas pessoas que, no fim das contas, são essenciais para nós. Por esse motivo fiquei feliz pelas escolhas que fiz na locadora, as férias são o momento mais oportuno para exercemos esse exercício de convivência. Por um momento as Tarefas Mínimas e Complementares do Anglo são estar com as pessoas que te fazem bem.




terça-feira, 13 de julho de 2010

Da série: Sobre Toy Story 3 e Mudanças.

Hoje fui à Paulista assistir ao novo filme do Hayao Miyazaki no cinema, Ponyo. Deveria escrever um post antes para dizer sobre o filme dele que mais gosto, A Viagem de Chihiro. Porém, precisaria ver o filme de novo para poder tentar criar um texto com maior riqueza de detalhes, como não verei o filme de novo, falarei apenas de Ponyo neste post.
Ponyo chegou atrasado ao Brasil, já foi lançado nos cinemas no exterior e também já saiu em DVD e em Blu-ray. Como todo bom filme, além de chegar atrasado está passando em um circuito extremamente restrito.
Hayao Miyazaki é considerado o mestre da animação japonesa. Suas animações são, na maioria das vezes, simples na forma, mas ricas no conteúdo. Não é a toa que a Pixar - que já citei várias vezes aqui como sendo o melhor estúdio em atividade atualmente- se deu o trabalho de fazer homenagem ao filme mais famoso deste incrivel diretor.JustificarNa simples história, um garoto, Sosuke, conhece uma peixinha, chamada Ponyo. Esta "peixinha" porém, é filha de um grande feiticeiro do mar, feiticeiro este que possui a capacidade de manter o equilibrio da natureza atráves da força do oceano. Quando Ponyo conhece o garoto estabelece rapidamente uma amizade sincera com ele, contudo o contato com o humano faz o tal equilibrio natural entrar em colapso. Cabe a Ponyo e Sosuke, atráves da sinceridade de sua relação, restaurar este equilibrio.
De fato é uma história muito simples, mas que ganha o espectador pelas lindas imagens. A animação foi toda desenhada com aquarela pelas próprias mãos de Hayao Miyazaki. O resultado, são cores vibrantes durante toda a projeção do desenho. Nós, os espectadores ocidentais do desenho, provavelmente acharemos muito do que é demonstrado ali fora de lógica, sem sentido, mas tudo ali é feito de forma coesa dentro dos padrões de um filme fantasioso; ninguém pede veracidade em um filme que se apresenta desde o começo como sendo nada mais que uma fantasia, e ainda por cima, infantil. Á partir dai refleti um pouco sobre o papel da animação atualmente. E percebi que o perfil das crianças que assistem a esses filmes mudou muito. Um exemplo claro é a comparação de dois clássicos atuais da Disney: A Princesa e o Sapo tentou resgatar o tradicional desenho, com a princesa, o príncipe e o bruxo. A bilheteria não foi péssima, contudo, não foi exorbitante como era com os clássicos de 10 anos atrás. Em contra partida, Toy Story 3, com todas as suas cenas de ações extremamente elaboradas, história densa, faz um sucesso estrondoso.
Neste meio todo entra Hayao Miyazaki, como um defensor de uma tradicionalidade que aos poucos se perde. Importante ressaltar que não deve ocorrer o fim da modernização da animação, muito pelo contrário, porém aquela sinceridade que percebiamos ao ver Rei Leão é continuamente trocada por filmes que buscam apenas o dinheiro, como Shrek Para Sempre. Por isso que a aparição de um personagem do mestre japonês em um filme da Pixar é relevante. A maior contribuinte de criatividade e dinheiro para o estúdio que já foi a fábrica de sonhos do mundo não exita em mostrar que apesar da computação, do roteiro sofisticado, a riqueza sincera de detalhes, a tradição da animação infantil ainda existe.
Por fim, nessa salada de reflexão sobre animações infantis eu percebi também que é o segundo post que falo sobre a infância. Talvez, seja a sensação do fim desse primeiro semestre como um importante divisor de águas. A idéia concreta de que com a faculdade vem ainda mais responsabilidades, e junto com essa idéia a nostalgia de uma época muito mais tranquila, a infância. Depois deste semestre tudo realmente será diferente.
Neste ponto, entra a minha jornada para assistir ao filme na Paulista. A idéia de usar o metrô, de me ver sozinho naquela que é a maior avenida do país, cercado pelos prédios, traz a tradicional sensação de ser pequeno diante do mundo. Em contra partida, trouxe uma sensação muito forte de estar por minha própria conta, de ter que me virar para poder encontrar o lugar que eu queria ir. A trajetória do cursinho, de estudar para poder entrar em uma boa faculdade não deixa de ser muito diferente. Feliz e contente por ter começado bem minhas férias de três semanas eu tento me renovar para o corrido segundo semestre. Prometo ser este o último post sobre transição.

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre Toy Story 3 e Mudanças




Depois de duas tentativas frustradas eu finalmente consegui assistir ao novo filme da Pixar, Toy Story 3. Confesso que antes de ler as críticas e impressões meu medo de ver a Pixar errar era grande, depois de duas obras primas seguidas (Wall-e e Up) a cobrança se torna maior, por isso o medo de não ver um filme à altura do que se espera da casa, sobretudo em uma continuação. Felizmente eu errei.
Toy Story 3 retoma os principais personagens da franquia, alguns poucos são descartados, mas ainda sim lembrados. Utiliza justamente esse descarte para catalisar a trama. Andy, o dono dos brinquedos, está indo para a faculdade e toda sua infância se concentra nos bonecos esquecidos no seu báu. A mudança de vida, de hábitos e o amadurecimento exigem o descarte, a seleção. Quais os bonecos que ele doaria, levaria com ele, deixaria no sotão? A trama do filme se sustenta toda nessa dúvida inicial.
Por uma série de motivos - que caso os contasse já seriam indicados como spoilers - Woody, Buzz e os outros são doados à uma creche. A sensação do lugar ser bom vai aos poucos se dissolvendo à medida que a história vai se demonstrando mais densa do que de fato parece ser. Mais uma vez a Pixar surpreende fazendo tudo o que não se espera de um desenho. Se em Up a velhice era mostrada com cores fortes e alegres, em Toy Story 3 o amadurecimento é sombrio. O momento crucial da mudança, de transpor uma etapa e iniciar outra, além do medo desta etapa não dar certo, é mostrado de uma forma escura.
Evidentemente a história centra-se nos bonecos, mas como dito, tudo o que acontece com eles está ligado à vida de Andy e isto ocorre desde o primeiro filme. Quando Andy se prepara para deixar sua casa e, portanto, passa por um momento de incertezas, os personagens centrais demonstram estas incertezas, seja nas suas atitudades, nos seus pensamentos e até mesmo no seu cotidiano. Inerente ao momento de mudança surge a nostalgia. Lee Unkrich, o diretor, acerta ao inciar o filme com Andy pequeno, ao fundo a música tema de Toy Story (amigo estou aqui...) - venhamos e convenhamos, a nossa geração sabe bem o que ela significa - e aos poucos a música abaixando, se distanciando até o momento que fica inaúdivel. São os ecos da infância que vão se dissipando. Como se ele quisesse dizer ao espectador que cresceu com a franquia: "esquece tudo isso, você cresceu!".
Apesar de todo o clima sombrio que permia a trama ela ainda traz toda a leveza de um filme Pixar. As piadas estão presentes e o filme tem como pontos altos o encontro da boneca Barbie com o Ken e Buzz em sua versão espanhola. Para quem gosta de referências, o filme faz uma ao grande mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro), mostrando como um dos novos personagens um ursinho de pelúcia do filme O Meu Amigo Totoro (outro filme da minha infância). As cenas de ação são extremamente bem elaboradas, com o tempo certo de cada personagem agir e uma trilha sonora muito bem colocada. Além disso, o final possui a sua moral presente, como em todo filme Disney, moral esta muito mais ampla do que apenas o valor da amizade.
E volto a citar Up, que nos faz começar chorando e terminar rindo, Toy Story 3 nos faz começar rindo e terminar chorando. O que me fez encher os olhos de lágrimas é saber que o momento que vivo agora não é muito diferente do que é apresentado no filme. Dentro de alguns meses, provavelmente, estarei vivenciando o mesmo que Andy e tomando a dificil decisão de descartar ou não o meu Woody (um estegossauro chamado Godzilla). É o estranho momento de ver o seu quarto vazio, de saber que aquela sua casa não será mais tanto sua. Ainda assim, será um momento importante, é um momento de amadurecimento que deve ser ultrapassado. O que é antigo, como os bonecos prediletos, não se tornou obsoleto, apenas fez o que deveria no momento determinado. O mais incrivel é que a Pixar mostra em imagens que da infância á velhice, o que sobra dentro de cada um são os brinquedos e, porque não, os nossos velhos conhecidos balões coloridos.


Post sobre Up: http://mosscabranca.blogspot.com/2010/04/estava-assistindo-ao-filme-up-altas.html

domingo, 6 de junho de 2010

O Mensageiro


Nada mais verdadeiro do que dizer que a arte reflete o contexto político, social e até mesmo econômico que um país, ou o próprio mundo, vivem. A Guerra do Iraque, cujo protagonista é o Estados Unidos da América, é um comprovante desta verdade. Muitos filmes já foram feitos para mostrar e discutir o que existe de real nessa guerra, como ela é travada e as consequências imediatas ou a longo prazo. Guerra ao Terror, talvez, seja o exemplo mais conhecido dos filmes que tem como pano de fundo esse embate, mas é necessário comentar de outros que cumprem um papel até melhor na hora de demonstrar os efeitos dramáticos de uma guerra sem necessidade. O Mensageiro tem essa função.
Na história o soldado americano Will é mandado para casa após ferir-se no Iraque. Ele tem ainda três meses de serviço, e é remanejado para a divisão de notificação de falecimento de militares no front a familiares. Para enfrentar este trabalho doloroso, ele conta com um parceiro mais velho, Tony (Woody Harrelson), com quem desenvolve uma relação de companheirismo. Parceiro este, que, de fato, nunca esteve em um combate como o do Iraque.
A construção do filme está toda relacionado com as "visitas" de Will às casas dos familiares. À partir destas visitas os personagens principais são desenvolvidos. Por isso cada encontro de Will com os familiares das vítimas da guerra são extremamente essenciais para o filme. Os atores que representam os pais, as mães, as namoradas de cada soldado morto na batalha atuam de forma tão verossímel que é impossivel não tocar o espectador. Inúmeras reações são demonstradas, e cria-se, de certa forma, a expectativa de como cada um irá reagir. Alguns choram, gritam, e tentam agredir os cruéis mensageiros.
Espertamente o diretor do filme, Oren Moverman, focaliza o rosto de Will em casa mensagem que este entrega. Percebe-se a fragilidade no olhar do sargento, apesar do poder e da força que a instituição do exército americano representam. O ator Ben Foster, até agora em seu melhor papel, transmite de forma intensa os sentimentos que estão palpitando, e que, em cada mensagem dada, clama para serem libertos. Todavia, segundo Tony, não deve haver qualquer manifestação exacerbada de emoção; Nem mesmo o militar deve tocar nas pessoas que sofrem. Will, em dado momento, sente necessidade de entender quem são aqueles que ele, de forma tão áspera, conduz à tristeza. É neste momento que se envolve com uma das viúvas.
A forma brusca que a morte entra na vida de cada um ali me fez refletir o significado desta guerra, algo que eu nunca havia parado para pensar. A grande potência norte americana é um país em guerra. Apesar de se preocupar com a crise econômica, com o vazamento de petróleo, com a bomba atômica do Irã, é um país em guerra. A população que faz parte daquela nação está, de fato, em guerra com outro território. O filme, talvez, tente mostrar exatamente isto. É uma guerra doméstica, um combate doméstico, no qual as perdas se refletem em cada individuo que perde um ente querido nos campos de batalha do Iraque.
É emblemático, portanto, o momento que Tony chora desesperadamente após ouvir o depoimento de Will sobre o confronto real. Ele não chora apenas por ouvir uma história triste sobre a guerra, mas por saber, que falar dos mortos dela é estar combatendo todos os dias. Ele pode nunca ter combatido com uma arma na mão, mas todos os dias volta para casa com as mãos, o rosto, cheio de rancor, tristeza. Já Will percebe que todos ali são seres humanos, e, por isso mesmo, se mostra compreensível em diversos momentos do filme.
O Mensageiro traz o desespero da guerra. A visão cruel daqueles que não lutaram, mas sofreram e sofrem diretamente com o mal que ela produz. O mais triste é saber que do outro lado do oceano existem pessoas que choram, gritam e sofrem do mesmo jeito.






domingo, 23 de maio de 2010

Tempos de Paz



"Nasce a fera e com a pele
que desenham manchas bela
apenas é signo de estrelas (graças ao douto pincel),
quando atrevida e cruel,
a humana necessidade lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto, tenho menos liberdade?"

Confesso. Eu sou preconceituoso no quesito cinema. Tenho muitas ressalvas às capas dos filmes, aos diretores que os dirigem, aos atores e ao estúdio. Mas, muitas vezes, algum desses pontos me mostra o quanto ser assim é perigoso.
Daniel Filho é conhecido pelas duas mais rentáveis comédias do cinema nacional, Se Eu Fosse Você 1 e 2. Alguns de seus outros filmes, como A Dona da História, apresentam um bom argumento, mas são mal desenvolvidos e a história, quando podia realmente começar, acaba. Conhecendo já o histórico do diretor e, não simpatizando muito com ele, fiquei interessado por dois filmes seus, pela história que contariam. O primeiro, Chico Xavier, filme que comentarei mais em breve neste blog, e o segundo, Tempos de Paz.
Tempos de Paz é o tipo de filme que causa estranheza nas primeiras cenas, a tentativa de efeito visualpara compor o Rio de Janeiro na era Getúlio Vargas fica estranha logo de cara. A atuação também não convence logo na primeira cena, e, preconceituosamente, o espectador (ou eu mesmo) já começa a procurar o que mais há de negativo ali. Este filme é um exemplo de que NÃO se deve fazer isso.
Apesar do estranho começo o filme tem um mote interessante. Em sua sinopse oficial o embate entre o chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro e um ex-ator polonês, suposto seguidor de Hitler. O chefe da alfândega (Tony Ramos) propõe ao polonês(Dan Stulbach) que se o fizesse chorar antes que o navio partisse, ele poderia ficar em território brasileiro. Inicia-se um profundo desmembramento entre os dois personagens que se embatem. Ora conhecemos mais do chefe, ora do ex-ator.
Entretanto, a sensação de mornice que o filme trazia no começo é deixado de lado à medida que o filme avança em suas discussões. Os dois atores crescem no filme de uma forma, que ao final, você se prende não apenas à história contada, mas aos gestos de cada um; à entonação na fala dos dois.
Desta forma, Tempos de Paz, é o tipico filme de atores, no qual dois grandes personagens debatem em várias passagens do filme. Passando por temas como tortura, diferanças na linguagem e teatro, o filme chega ao seu ápice em um comovente monólogo de Dan Stulbach.
Claramente simples em sua estrutura Tempos de Paz me conquistou justamente por se transformar ao longo da narrativa. Daniel Filho me mostrou que assistir à filmes é simplesmente deixar ver se aquele filme te conquista ao longo do tempo. O diretor que sabe fazer isso, minimamente, é um bom diretor. Como já diziam alguns diretores; Cinema é a arte de mentir. Mentir tão bem e de forma - paradoxalmente - sincera, que em uma hora e meia você se comove e, tal como o polonês que não quer deixar o Brasil, nós não queremos deixar o filme.
Assista Tempos de Paz.

sábado, 24 de abril de 2010

Quase Burton


Quando assisti à versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate de Tim Burton, fiquei impressionado como ele sabia usar o seus recursos mais característicos para refazer e remontar uma história há muito anexada no imaginário popular. Fiquei um tempo depois pensando em quais histórias que, se adaptadas por ele, seriam extremamente legais de se ver. Um deles foi Alice no País das Maravilhas (pensei em O Mágico de Oz também). Depois de um tempo o inevitável, o anúncio da adaptação do clássico de Lewis Carroll nas mãos de Tim Burton!
O que mais se espera em um filme de Tim Burton é, indiscutivelmente, a direção peculiar dele. Existe algo nos filmes que fazem o espectador se encantar, encher os olhos com o que está sendo transmitido. Existe uma simplicidade e, ao mesmo tempo, um requinte no visual dos seus filmes que transbordam a experiência sensorial. Alice possui a marca "Tim Burton" em cada detalhe. Está nas minúsculas portas, nos personagens estranhos, nas árvores retorcidas, na trilha sonora de Danny Elfman, mas infelizmente, não está na essência do filme. A minha ansiedade ao ler o anúncio da adaptação era justamente em pensar que dois universos se completariam tão bem; A peculiaridade citada com a surrealidade de Alice.
Isso não acontece no filme. Pensando no Alice original: porque todos ficamos encantados com a história? Porque simplesmente ali não há lineariade. Os personagens não são fixos, eles são completamente mutáveis. Podem aparecer, desaparecer. Podem se mostrar muito mais vilões do que protagonistas ou vice-versa. Tim Burton peca exatamente nisto. Ao tentar dar uma linearidade para a personagem Alice, e sendo ela a essência do País das Maravilhas, ele dá linearidade para todos os outros personagens. Eles ficam presos ao foco da narrativa da protagonista, ficam presos e submetidos à jornada da heroína em direção à destruição do dragão da Rainha, sua antagonista declarada desde o ínicio. Não há a dúvida quanto ao que de fato nos espera naquele universo, ou seja, não há o surreal, uma vez que no fim das contas, havendo os personagens um objetivo claro, eles se tornam, de certa forma, reais.
Por possuir os detalhes burtonianos, deve-se deixar claro que o filme é extremamente belo em seu visual. Percebe-se um trabalho dedicado em toda a produção técnica do filme, o que faz este ser muito bem recebido visualmente na sala de cinema. Outro ponto interessante de notar é a permanência de uma característica do diretor muito presente em seus filmes recentes. É comum encontrar nos filmes dele críticas à alta sociedade. Analisando os mais recentes, a crítica é evidente. Em Sweeney Todd a aristocracia é citada de forma famigerada, sobretudo, em uma canção, na qual a personagem de Helena Bonham Carter tece comentários sobre o sabor da carne de cada membro da elite inglesa. Alice no País das Maravilhas não se faz diferente, desde o inicio do filme o elemento se apresenta. Aliás, o motivo para Alice seguir o coelho é justamente a não concordância da personagem com a aristocracia. Assunto este que retorna no filme na imagem da Rainha Vermelha e seus súditos. Porém, é apenas uma observação quanto á sua filmografia, uma vez que o filme, por ser em grande parte de apelo infantil, não se propõe à discutir questões como essa.
O que de fato falta é algo mais que não se completa ao visual. Nem mesmo o 3D torna-se o atrativo final para despertar o encanto do espectador - é utilizado basicamente no truque de lançar objetos na tela - e a profundidade tão requerida para um ambiente vasto como o País das Maravilhas não está ali. Além disso, o filme demora para entrar no ritmo certo.
Ironicamente, um dos primeiros nomes cogitados para o filme foi Almost Alice, "Quase Alice" em português. Ao final da sessão, fica a sensação que Alice não consegue, de fato, completar-se.
(Se fosse para dar nota: 7,5)

domingo, 11 de abril de 2010

A Revolução




Depois de ficar pensando em trabalhos que as faculdades pedem - fiquei sabendo que a Santa Marcelina pede para pensar na moda de 50 anos no futuro - e pensei também que eu não teria cacife nenhum para fazer um trabalho de moda no futuro. Porém, teria um cacife (nem tanto, admito) para fazer um trabalho do futuro do cinema. E fiquei pensando sobre como seria, portanto, o futuro do cinema.
Tomei como ponto de partida o ano passado e o ínicio desse ano. E, lógico, usei Avatar como um fator importante na construção do meu futuro cinematográfico. James Cameron sempre afirmou que Avatar iria revolucionar a indústria. Pensando no fato de ter sido filmado todo em 3D, com câmeras especiais para isso; Pensando ainda na hegemonia de bilheteria de todos os tempos e vendo as consequências imediatas do sucesso do filme, chego a conclusão que Avatar pode até não revolucionar, de fato, o cinema, mas pode ser considerado um marco.
Vejamos pelas consequências. Meses depois da estréia, e já comprovada a febre azul que se estendeu por todos os cinemas do globo, a Warner anunciou a conversão de Fúria de Titãs e de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e 2. Ao mesmo tempo, começou uma grande discussão se Transformers 3 seria filmado em 3D ou se seria convertido. E, acima de tudo, uma espécie de richa se desenvolveu entre aqueles que convertem e aqueles que filmam em 3D.
Não entrarei no mérito da qualidade (apesar de ler que as conversões são terríveis). O que me interessou foi que: Nenhum dos anúncios de 3D foi para filmes que não blockbusters. Podemos até dizer que isso seria evidente, que dificilmente um filme lento europeu seria filmado em 3D. Mas é exatamente nessa obviedade que queria chegar para visualizar o meu "futuro do cinema".
Se a tendência permanecer nos próximos anos, as grandes indústrias exigirão cada vez mais tal artificio nos seus filmes (claro, o ingresso é bem mais caro) e as salas adaptadas crescerão cada vez mais. Em contra partida, os filmes que não exigem o apelo do 3D na sua exibição, poderão se tornar cada vez mais segregados em cinemas de centro da cidade. Financiar a tridimensionalidade em filmes que não necessitam tanto dela, seria gastar mais dinheiro em um segmento do cinema que já é fadado à pouca bilheteria. (Basta pensar na animação hoje em dia. Depois da revolução visual de Toy Story, seguida por outros filmes da Pixar, e o correspondente aumento na bilheteria em relação às animações 2D, fez as animações com traços simples serem praticamente extinguidas do circuito abrangente de cinema).
Por isso Avatar é um divisor. Um divisor de gêneros, talvez. A divisão tão execrada por muitos, entre cinema arte e cinema pipoca poderá ser cada vez maior. O futuro da sétima arte está sendo escrito continuamente e a revolução de Cameron se torna cada vez mais próxima de nossos olhos.

sábado, 10 de abril de 2010

Up






Estava assistindo ao filme Up - Altas Aventuras. Me impressiona cada vez mais como a Pixar consegue fazer filmes, de certa forma simples, mas extremamente enriquecidos. A coragem - já muito discutida - de fazer um filme de animação com um protagonista velho é pouco perto do que o filme trata.
Para mim, o mais legal da Pixar é o fato de eles não terem vergonha de continuar fazendo filmes infantis. Porque, venhamos e convenhamos, depois de Os Incriveis e Wall-e a Pixar entrou definitivamente em uma seleta lista de grande realizadora de filmes, filmes esses considerados clássicos imediatos, e, de certa forma, com temáticas desenvolvidas de uma forma bem adulta, ainda que o filme tenha o corpo de uma criança. A seriedade de Wall-e nas suas longas cenas sem diálogos - exaltando o espaço solitário de Kubrick - e as comédias simples e - ao mesmo tempo, políticas de Chaplin - poderiam ser o tratado cinematográfico final de que dali para frente a Pixar realizaria filmes de cunho muito mais artístico, e ficaria, portanto, presa nessa premissa de estúdio de arte.
Eis que em mais uma animação anual, a nova parte criativa da Disney lança um filme que em menos de meia hora nos faz ir do riso ao choro. E poderia muito bem se sustentar em cenas lindas ao som das músicas de Michael Giacchino, mas ele pretende ser fantástico, pois ainda é uma animação, e não pretende ser real, pois não foi feito para isso.
Talvez, seja isso que falta em muitos filmes atuais, que tentam ser extremamente bem conceituados em suas temáticas. São filmes sério demais, que se levam a sério demais. Por isso, entre tantos outros motivos, a Pixar é invejável. Se é para falar da velhice, que seja usando balões coloridos.

Descobrimento

Acabei de descobrir que tenho esse blog. Provavelmente, tempos atrás, devo ter tido vontade de criar um, criei - fiquei contente por isso - e simplesmente depois esqueci que ele existia. Hoje, quando fui procurar criar um, me veio na tela do computador este belo blog, já pronto para ser usado, apenas esperando minha maturidade intelectual. Não que eu tenha lido livros que expliquem as consequências nas relações sociais sobre a semente da melancia na reprodução das abelhas africanas, muito menos, explições teóricas sobre a quimera do capitalismo financeiro que estamos inseridos. Não li nada disso! Maturidade no sentido de apenas de ter vivido mais alguns anos desde que o criei. De qualquer forma, fica aqui meu convite aos meus amigos, meus pais, minha namorada, para ler o blog e dar o maior apoio moral de continuar escrevendo nele mesmo que ninguém leia! Quanto aos leitores desconhecidos, mesmo que gostem não há necessidade de mandar para seus amigos, nem há necessidade de pedir que comentem. (Mentira!)
Boa leitura!