domingo, 12 de junho de 2011


Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
(Drummond)


Escrever...apagar
Escrever...apagar
Escrever...apagar
Quando você quer dizer coisas que não conseguem ser ditas, o jeito é escrever elas. Mas, e quando nem escrever consegue?
Não Drummond, não estou conseguindo "penetrar surdamente no reino das palavras". Acho que estou distante demais desse reino, faz algum tempo.

domingo, 1 de maio de 2011

O Fim do Orkut


Lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi a palavra Orkut. Obviamente, na hora meu cérebro associou a palavra ao Yakult (coisa que meus pais fazem até hoje). Custou pra entender o que era essa bendita rede social, aliás eu nem fazia idéia do que era uma rede social. Minha internet na época ainda era discada, entrava na internet pra usar o bate-papo do Harry Potter na Uol.
O Orkut foi mais uma moda. No começo, entrar no orkut era sinônimo de status (pelo menos para mim, que não era nem um pouco popular), você só fazia parte da "Rede Social" se recebesse um convite por email. Pronto, estava feito o objetivo de todos os pré-adolescentes da sexta série, encontrar amigos que já tivessem o bendito do Orkut para que mandassem o bendito do convite para você e, assim, você faria parte da incipiente High Society da internet.
Me mandaram o convite e fiz o Orkut. Scraps, comunidades, adicionar amigos, depoimentos. Tudo fazia parte do êxtase da pré-adolescência. A tela azul era o panteão do jovem. Quem não se lembra da febre de criar comunidades para os amigos? "Amamos o Lucas", "Eu conheço o Pedro", "A Maria é legal". E as pessoas disputavam quem tinha mais comunidades homenageadas. Também houve a época de colecionar scraps, seguido dos contestadores "Eu não coleciono scraps, pois não ligo para números!". Ai veio a febre de apagar os scraps, e sempre na página de recados das pessoas as frases "Lido, Apagado e se possível respondido!". Como se na sua idade você não tivesse tempo para responder as pessoas...caramba, você ficava o dia todo no Orkut!
Outras febres se seguiram, pedir depoimentos, marcar fotos, ter 1.000 amigos e fazer outro orkut só pra ter o prazer de colocar no seu "quem sou eu" o link do perfil 2 (algo que eu nunca tive a oportunidade de fazer). Parecia que a rede social estava mais que fixada no imaginário popular dos adolescentes.
No entanto, os usuários de 14 anos (que aliás, mentiam pra entrar, já que no Orkut só podia entrar maiores de 18) cresceram. O Google, propriétario da rede, até tentou atualiza-lô aos tempos modernos. Com o aumento da popularidade do Facebook e do Twitter, tentaram unir o melhor dessas duas redes no bom e velho Orkut. Retiraram a obrigatoriedade do convite, permitiram a utilização de outras cores nos perfis, aumentaram o número de fotos que poderiam ser colocadas nos albúns. Infelizmente, não deu certo, cada vez mais os fóruns das comunidades e as páginas de scraps ficam desertas.
A época do azul e rosa passou. Todos crescemos e migramos para a rede social do bilionário mais jovem do mundo, que até filme já ganhou. À primeira vista o Facebook parece mesmo mais atraente, é moderno, ágil e fácil. Algo que o Orkut muitas vezes não era. Porém, sentirei falta dessa rede que marcou a minha adolescência. Era inevitável que um dia ele perdesse seu posto, ainda mais em um mundo em que os gostos se unificam (o Orkut só era maioria no Brasil e na Índia, no resto do mundo o MySpace e o Facebook sempre foram os preferidos). Sinal dos tempos da globalização.
Sou exemplo da massa. Curtiram agora uma frase minha aqui no Facebook e eu fui correndo ver.
Resta esperar e ver o que substituirá a rede do Zuckerberg.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dicas para Locadora 2 - O Retorno

http://bit.ly/a2mSrI (O Escritor Fantasma)
http://bit.ly/cEo17s (Tudo Pode Dar Certo)


Depois das férias e da "ressaca" do carnaval (aham) eu volto para o meu blog. Ainda sem muita noção do que escrever nessa postagem que de fato inicia o ano de 2011 neste espaço. Portanto, decorrente da minha falta de imaginação, resolvi continuar com dicas de locadoras.

Vamos ao que interessa então. Para aguçar a vontade deixarei o link do youtube com os respectivos trailers.

Apenas Uma Vez (Once) http://bit.ly/egrwtB

Filme ganhador do Oscar, em 2008, pela canção Falling Slowly. Apenas Uma Vez é um excelente exemplo de romance da safra atual que procura tornar a história do casal algo mais concreto e factivel. É comum ver esse segmento apostando nos diálogos (como 500 Dias com Ela e o brasileiro Apenas o Fim), no entanto, Once arrisca na vertente musical do romantismo. É comum também os filmes de romance apresentarem grandes canções, mas no caso deste, a música realmente une as personagens. É por meio dela que o casal do filme se conhece e se reconhece. Portanto, as belas composições não servem apenas para deixar o filme mais "bonitinho", mas são responsáveis por fazer o filme acontecer e atingir ao espectador e se interessar pelo casal. Como curiosidade, os atores que encarnam os protagonistas foram os próprios compositores das músicas dos filmes. Mais um filme que procura mudar o cenário do romance, encaixando este no nosso mundo real porém de uma forma mágica. Paradoxo que é antigido apenas em musicais mesmo.

O Escritor Fantasma (The Ghost Writer)

Ao contrário de Once, este foi um filme completamente esquecido pelo Oscar (algo não muito dificil de ocorrer). Filme mais recente de Roman Polanski, O Escritor Fantasma demonstra que o diretor está sim em excelente forma ainda. Ewan McGregor é um escritor fantasma (o filme jamais revela seu nome) contratado para escrever as memórias do ex-primeiro ministro da Inglaterra. No entanto, ao pesquisar sobre o passado deste politico o Fantasma percebe que existe algo mais profundo na figura daquele homem do que apenas sua ideologia. Um suspense extremamente bem calculado pelo diretor e roteirista. Evoca diversas vezes o suspense de Hitchcock, seja filmando a neblina da ilha em que hospeda o protagonista (lembrando algumas cenas de Um Corpo Que Cai), seja colocando o personagem principal em uma trama muito maior do que ela realmente aparenta ser, confundindo até que ponto tudo é conspiração e o que não é. A fotografia cinza e os planos que mostram como a ilha é fria, apenas aumentam a sensação no espectador de desconforto e desconfiança. Além disso tudo, alfineta muito bem a política de Tony Blair e como esta interage com a política da Guerra ao Terror dos EUA. Muitas cenas dão aula de suspense. Filmaço!!!!

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works)

Filme de 2009 de Woody Allen. Na história Boris Yellnikoff é um velho rabugento que considera ser o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. Um dia conhece Melode, que muda um pouco (ou não) sua visão das coisas. Sinceramente? Eu não consigo definir se gosto ou desgosto do diretor. Eu não conhece toda sua filmografia, mas procuro sempre assistir aos seus filmes, novos e antigos. Assim formo minha opinião sobre ele. Porém, não consigo parar de pensar que seus filmes ficam meio automáticos cada ano que passa. Tudo Pode Dar Certo tem todas as características dos filmes dele, o sarcasmo, a ironia, as estranhezas. No entanto, por diversas vezes, achei tudo muito caricato. Larry David não me convenceu como o chato Boris, ficava até meio de saco cheio toda hora que o personagem abria a boca (talvez essa seja mesmo a função dele, e se for, parabéns, me pegou, rs). Alguma poucas vezes achei o filme engraçado, e, em grande parte, pela bela Evan Rachel Wood, a "burra" Melody. Estranhamente, a achava bem mais inteligente que ele, ela possui reflexões geniais sobre a pessoa de Boris, algo que ele, tão inteligente como se chamava, não percebia em si mesmo. Tudo Pode Dar Certo é um filme somente "legal" do Woody Allen.
P.S: Tive uma interpretação estranha da cena final, na qual ele conversa com a platéia do cinema. Achei que Allen demonstrou um pouco de misticismo (seria essa a palavra?). Pela quantidade de vezes que o personagem cita a não existência de Deus, a sua fala final do filme meio que contraria essa postura dele. Posso estar viajando, mas abre uma discussão interessante.

Quem viu os filmes comente ai o que achou deles, se não viu, assista e volte aqui pra comentar!










terça-feira, 1 de fevereiro de 2011





Eu juro que queria escrever um novo texto. Gostaria de comentar de Somewhere, que assisti hoje, e de outros filmes que já tinha visto e gostaria de comenta-lôs também. Porém, encontro-me em total inoperância intelectual desde o fim dos vestibulares. Decreto este blog de férias, até inicio das aulas (na faculdade, desta vez) ou até eu voltar a ter inspiração suficiente para escrever outro texto. Poucos leitores(amigos) por favor, não sumam!