Madrugada, dia 23 de Dezembro. A garoa lá fora até torna essa madrugada meio invernosa. Tinha escrito esse texto há muito tempo, mas não tive coragem de colocar ele aqui. Porque não tive coragem? Não sei, o texto não tem nada demais. Talvez não sentisse que era a hora. O Natal, creio eu, é a época perfeita para publica-lô.
Existem assuntos que realmente não possuem uma explicação concreta, algo que defina completamente aquilo que está se discutindo. Nesses casos há apenas uma opinião pessoal, opinião esta que apesar de não poder ser comprovada pode ser discutida e argumentada, ainda que as pessoas discordem. É a FamÔsa frase de Voltaire "Posso não concordar com aquilo que diz, mas defenferei o direito de dize-lâ".
Partindo dessa constatação que iniciarei meu post sobre Deus. Talvez, por achar que hoje sonhei com uma pessoa que não está mais mais entre nós, ou por estar com aquele estranho aperto de fim de tarde no coração, ou simplesmente por querer deixar claro minha opinião neste blog sobre este assunto. Não sei porque, mas me deu vontade de escrever sobre isso.
Costumo dizer que sou uma pessoa que pensa demais. Reflito muito sobre a maioria das coisas que faço, que ouço, que vejo. Já refleti demais sobre a existência do Deus que ouvimos desde pequenos. A imagem de um homem alto, moderadamente velho, com um semblante tranquilo mas extremamente sério. Somos, de certa forma, educados a ter um certo medo desta figura. Ela representa o respeito, a autoridade. "Devemos ter cuidado com o que pensamos e fazemos, pois Deus está olhando tudo."
Cresci e no auge de minha adolescência, assolado pelas inúmeras questões que todo adolescente tem, a figura de Deus surgiu como uma dúvida. Será que de fato ele existe? Me deu medo de ter pensado isso. Como poderia duvidar da existência de Deus? O mais engraçado é que eu mesmo já tinha passado por momentos na vida que não poderia suportar sem pensar na imagem acalentadora de algo maior. Mas, nós seres humanos, ainda mais se adolescentes, possuimos essa característica infalível de usar daquilo que nos faz bem apenas no momento oportuno.
Comecei a ler sobre Deus em uma doutrina específica. Procurei estudar aquilo que me afligia, para poder ver se entendendo ele eu entederia o que a dúvida significava. Ainda estou estudando, como creio que todos os homens fazem. Mas, ao longo destes anos de dúvida eu comecei a formar em minha mente a imagem do que eu considero como Deus. Ainda que a imagem do homem soberano possa não ser real eu fui entendendo que tudo à nossa volta pode ser Deus. O sorriso das pessoas, a organização sistemática da natureza que pulsa a cada segundo. Daquele mar alaranjado pelo nascer e pôr do sol, pelos momentos de simplicidade com as pessoas que eu amo e pela busca de quem eu sou.
Deus não precisa ser alguém, não precisa ser algo. Pode ser simplesmente tudo e ao mesmo tempo pode ser você. Veja bem, não quero fazer apologia a nenhuma religião, não quero que concordem com o que escrevo. Quero apenas deixar claro que se tem alguém me lendo ai do outro lado, e tem essa duvida, que tente pensar em algo mais amplo daquilo que fomos educados desde o começo da vida a pensar.
Em uma palestra sobre drogas na minha escola o palestrante citou a existência de Deus e disse que o mais engraçado era que Deus possui apenas duas vogais: "e" e "u". Eu. Ou seja dentro de nós. Ainda tenho minhas dúvidas, mas, talvez, dentro de cada um de nós haja mesmo parte de Deus. Se todos realmente fazemos parte desse planeta, enquanto animais que somos, estamos organizados nesta teia da vida, fazemos parte desse organismo vivo. E ai, chamar Deus, Allah, Eywa (rs), não faz a menor diferença. Contanto que continuemos acreditando nas pessoas, acreditaremos nessa força maior.
Obs: Espero que tenham entendido.
Desejo um Feliz Natal e um excelente 2011 para todo mundo!
