

OBS: Spoilers.
Cinema é, como toda arte, expansão. Na maioria das vezes os filmes se alongam além da sala de cinema ou além do sofá de casa. E, claro, isso varia de filme para filme. Algumas vezes um filme apenas gera um comentário rápido sobre o que o espectador achou do que assistiu, outras vezes a discussão se prolonga tanto que as imagens do filme grudam na cabeça e pedem por mais reflexões. Tropa de Elite talvez seja o filme que mais gerou essa expansão artística nos últimos anos no país. Desde o seu "vazamento" em cópias piratas vendidas nos camelôs até a conquista do Urso de Ouro, em Berlim. Era evidente que a sua sequência não teria menor destino.
Tropa de Elite 2 propõe apresentar algo diferente do que apresentou no antecessor. Dessa vez o protagonista é o Capitão Nascimento. Todo momento ouvimos a voz dele, mesmo que o personagem fique um bom tempo fora de cena.
Ainda que Nascimento não seja, de fato, um herói a construção da personagem ocorre dessa forma. No primeiro filme a personagem é um anti-herói que foi alçado pelos espectadores como um mito. Padilha aproveita dessa visão que o público fez do Capitão e a reverte. Agora assistimos algo bem característico de "segundos filmes" Nascimento questiona a sua função enquanto "herói", nesse caso, enquanto sua função como policial do BOPE. Se em Homem Aranha 2, Peter Parker joga fora sua máscara porque está perdendo seus poderes e em Cavaleiro das Trevas, Batman (um personagem mais semelhante ao Capitão Nascimento) é impedido por Coringa de ser um herói, em Tropa 2 Capitão Nascimento perde sua farda porque o "sistema" o impede de usa-lâ.
Contudo, mesmo sentado em um escritório, com um cargo administrativo e longe da ação factual, o personagem tenta ajustar a situação caótica que se encontra no Rio de Janeiro. À medida que se aprofunda no sistema político, Nascimento percebe que tudo o que combatia no primeiro filme só existe porque algo maior o sustenta, e, por isso, o inimigo agora é outro. Ele combate a parcela mais poderosa do país, aquela que possui o poder político e financeiro e, consequentemente, o poder físico.
Surge no horizonte a politicagem. A ação hipócrita de políticos, da polícia e a ação hipócrita da mídia, os denominados quatro poderes. Nascimento perde o chão quando percebe que combater a corrupção política é muito mais difícil do que entrar em uma favela atirando e matando todos os traficantes presentes nela. E, exatamente por isso, questiona a função que tinha enquanto membro do BOPE. O BOPE, segundo ele mesmo diz, torna-se uma máquina de guerra, torna-se um braço hipertrofiada de um corpo muito mais sofisticado, com um cérebro altamente desenvolvido.
Diante dessa quimera a imagem do Capitão, no filme elevado à Coronel, é subtraída. Surge uma sensação de "estar perdido", uma completa sensação de impotência, incrivelmente transmitida por Wagner Moura. A imagem dele volta a aparecer e fazer-se imponente quando a violência dessa máquina de corrupção, que ele chama de sistema, atinge sua família, em uma cena chave do filme, que pulsa em toda a sala de cinema. Nesse momento o herói se une ao ser humano. Os questionamentos atingem a esfera pública e privada e Nascimento começa a realmente querer destruir tudo o que, de certa forma, ajudou a construir e , assim, encontrar sua redenção. Após permanecer durante boa metade do filme em "silêncio", ele resolve agir.
É impossível assistir ao filme e não sentir crescendo dentro do peito uma sensação monumental de impunidade. Algo que pode ser sentido em todas as eleições quando mais "Sarneys" são eleitos por todo o Brasil, ou então, quando cada escândalo de corrupção é descoberto e simplesmente não é resolvido. O cidadão que assiste ao filme se identifica no Nascimento, justamente, por não saber como resolver um situação que, muitas vezes, ele mesmo ajudou a construir. O que Nascimento faz no final do filme, quando discursa mostrando toda podridão do sistema que combate, é algo que muitos de nós gostariamos de fazer. O plano final de Brasília é extremamente emblemático, a bandeira do Brasil abaixada é emblemática e a voz do herói cinematográfico - que a população democraticamente elegeu por cópias piratas ou não - em cima dessas imagens é emblemática.
Fecha-se os ciclos de comparações heróicas. Batman diz no final de seu filme que não é o melhor herói para Gotham City, mas era o herói que ela precisava ter.Nascimento não é o melhor herói para o Brasil, mas será que é o que precisamos ter?
É a pergunta que nós espectadores e cidadãos retiramos do filme. É a expansão dele. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Tropa de Elite 2 propõe apresentar algo diferente do que apresentou no antecessor. Dessa vez o protagonista é o Capitão Nascimento. Todo momento ouvimos a voz dele, mesmo que o personagem fique um bom tempo fora de cena.
Ainda que Nascimento não seja, de fato, um herói a construção da personagem ocorre dessa forma. No primeiro filme a personagem é um anti-herói que foi alçado pelos espectadores como um mito. Padilha aproveita dessa visão que o público fez do Capitão e a reverte. Agora assistimos algo bem característico de "segundos filmes" Nascimento questiona a sua função enquanto "herói", nesse caso, enquanto sua função como policial do BOPE. Se em Homem Aranha 2, Peter Parker joga fora sua máscara porque está perdendo seus poderes e em Cavaleiro das Trevas, Batman (um personagem mais semelhante ao Capitão Nascimento) é impedido por Coringa de ser um herói, em Tropa 2 Capitão Nascimento perde sua farda porque o "sistema" o impede de usa-lâ.
Contudo, mesmo sentado em um escritório, com um cargo administrativo e longe da ação factual, o personagem tenta ajustar a situação caótica que se encontra no Rio de Janeiro. À medida que se aprofunda no sistema político, Nascimento percebe que tudo o que combatia no primeiro filme só existe porque algo maior o sustenta, e, por isso, o inimigo agora é outro. Ele combate a parcela mais poderosa do país, aquela que possui o poder político e financeiro e, consequentemente, o poder físico.
Surge no horizonte a politicagem. A ação hipócrita de políticos, da polícia e a ação hipócrita da mídia, os denominados quatro poderes. Nascimento perde o chão quando percebe que combater a corrupção política é muito mais difícil do que entrar em uma favela atirando e matando todos os traficantes presentes nela. E, exatamente por isso, questiona a função que tinha enquanto membro do BOPE. O BOPE, segundo ele mesmo diz, torna-se uma máquina de guerra, torna-se um braço hipertrofiada de um corpo muito mais sofisticado, com um cérebro altamente desenvolvido.
Diante dessa quimera a imagem do Capitão, no filme elevado à Coronel, é subtraída. Surge uma sensação de "estar perdido", uma completa sensação de impotência, incrivelmente transmitida por Wagner Moura. A imagem dele volta a aparecer e fazer-se imponente quando a violência dessa máquina de corrupção, que ele chama de sistema, atinge sua família, em uma cena chave do filme, que pulsa em toda a sala de cinema. Nesse momento o herói se une ao ser humano. Os questionamentos atingem a esfera pública e privada e Nascimento começa a realmente querer destruir tudo o que, de certa forma, ajudou a construir e , assim, encontrar sua redenção. Após permanecer durante boa metade do filme em "silêncio", ele resolve agir.
É impossível assistir ao filme e não sentir crescendo dentro do peito uma sensação monumental de impunidade. Algo que pode ser sentido em todas as eleições quando mais "Sarneys" são eleitos por todo o Brasil, ou então, quando cada escândalo de corrupção é descoberto e simplesmente não é resolvido. O cidadão que assiste ao filme se identifica no Nascimento, justamente, por não saber como resolver um situação que, muitas vezes, ele mesmo ajudou a construir. O que Nascimento faz no final do filme, quando discursa mostrando toda podridão do sistema que combate, é algo que muitos de nós gostariamos de fazer. O plano final de Brasília é extremamente emblemático, a bandeira do Brasil abaixada é emblemática e a voz do herói cinematográfico - que a população democraticamente elegeu por cópias piratas ou não - em cima dessas imagens é emblemática.
Fecha-se os ciclos de comparações heróicas. Batman diz no final de seu filme que não é o melhor herói para Gotham City, mas era o herói que ela precisava ter.Nascimento não é o melhor herói para o Brasil, mas será que é o que precisamos ter?
É a pergunta que nós espectadores e cidadãos retiramos do filme. É a expansão dele. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
