sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dicas para a locadora (1)







A rotina do cursinho impede que os vestibulandos possam se divertir da maneira que se divertiam até entrar no maravilhoso mundo dos pré-vestibulares. Felizmente as férias existem para retomar as atividades de pessoas normais. Alugar inúmeros filmes que já deveriam ter sido vistos é algo importante que retomei nessas férias.
No ínicio dessa semana aluguei Férias Frustradas de Verão (péssimo título nacional, em inglês chama-se Adventureland), Preciosa, e Um Olhar do Paraíso. Três filmes que estava ansioso para ver. Tinha que fazer essa maratona antes de ir viajar e felizmente tive boas experiências ao assisti-lôs.
Estou completamente sem senso de organização hoje para fazer uma crítica específica para estes filmes. Fato é que gostei dos quatro de alguma forma e fazer um texto para cada um me irritaria profundamente (eu estou de férias e mereço descanso das redações também). Portanto, farei comentários breves de cada um.

Adventureland é do mesmo diretor de Superbad - é hoje (porque esses subtítulos existem?) e apresenta James Brennan, um jovem que acabou de se formar na faculdade. Preparado para realizar uma grande viagem pela Europa seus pais o avisam que estão sem dinheiro para bancar a viagem e, principalmente, uma pós gradução. Logo, para conseguir se graduar completamente terá que trabalhar no verão. O filme se passa durante a década de 80 e foca na personalidade do protagonista. James sempre procura organizar planos para tudo o que faz na vida e praticamente não se entrega a nada. Quando inicia seu trabalho no parque de diversões da cidade - lugar movido por sensações imediatas como medo e felicidade - e conhece Em (interpretado por uma Kristen Stewart provando ser algo mais que "a disputada" de Crepúsculo) ele aos poucos vai soltando as amarras que o prendiam tão ferranhamente aos planos. Um filme leve ,exemplar de um tipo de comédia que tem se tornado comum em Hollywood, uma comédia menos espalhafatosa e mais reflexiva.
Preciosa, ao contrário de Adventureland, é um daqueles filmes pesados. Conta a história de Claireece Jones Precious (Gauborey Sidibe), jovem de 16 anos, negra, violentada sexualmente por seu pai, e físico e verbalmente por sua mãe. Cresce analfabeta, obesa e fechada em um mundo muito particular, no qual vive suas fantasias. O diretor Lee Daniels, utiliza dessas fantasias para amenizar a atmosfesa pesada do filme, sobretudo, nos momentos em que Preciosa é agredida. Nelas, ao contrário do mundo real, Preciosa sorri. Com interpretações excelentes de Mo´nique (mãe de Preciosa) e de Gauborey Sidibe.
Um Olhar do Paraíso, por sua vez, narra a história de Susie Salmon, interpretada por Saoirse Ronan (Desejo e Reparação). Adolescente assassinada na décade de 70 e que, por algum motivo, não consegue se desconectar da vida na Terra. Permanece, em um lugar inicialmente identificado como Paraíso, observando sua família e o seu assassino. Dirigido por Peter Jackson, possui um fundo espiritualista muito grande. Com diversos cenários construidos por efeitos especiais (CGI) o filme também tem cores fortes e uma interpretação delicada de Saoirse Ronan.
Acho interessante perceber que esses três filmes retratam adolescentes em uma cronologia semelhante (décadas de 70 e 80) e em um mesmo local, EUA, porém são personagens extremamente diferentes. Enquanto em Um Olhar do Paraíso e Adventureland assistimos a jovens de classe média, média alta, em Preciosa temos o retrato do lado mais problemático da sociedade americana e, de certa forma, do mundo.
Nos três filmes existem mensagens a ser captadas. Pode ser a jornada de auto conhecimento de Adventureland, a crítica social de Preciosa ou a reflexão da vida após a morte de Um Olhar do Paraíso. Mas, tenha certeza, nos três filmes, independente da mensagem mostrada, existe algo em comum. Talvez seja até superficial demais comentar isso, mas nos três o que de fato é valorizado no final são as relações pessoais que as personagens estabelecem. É a história clichê de compartilhar a felicidade com aquelas pessoas que, no fim das contas, são essenciais para nós. Por esse motivo fiquei feliz pelas escolhas que fiz na locadora, as férias são o momento mais oportuno para exercemos esse exercício de convivência. Por um momento as Tarefas Mínimas e Complementares do Anglo são estar com as pessoas que te fazem bem.




terça-feira, 13 de julho de 2010

Da série: Sobre Toy Story 3 e Mudanças.

Hoje fui à Paulista assistir ao novo filme do Hayao Miyazaki no cinema, Ponyo. Deveria escrever um post antes para dizer sobre o filme dele que mais gosto, A Viagem de Chihiro. Porém, precisaria ver o filme de novo para poder tentar criar um texto com maior riqueza de detalhes, como não verei o filme de novo, falarei apenas de Ponyo neste post.
Ponyo chegou atrasado ao Brasil, já foi lançado nos cinemas no exterior e também já saiu em DVD e em Blu-ray. Como todo bom filme, além de chegar atrasado está passando em um circuito extremamente restrito.
Hayao Miyazaki é considerado o mestre da animação japonesa. Suas animações são, na maioria das vezes, simples na forma, mas ricas no conteúdo. Não é a toa que a Pixar - que já citei várias vezes aqui como sendo o melhor estúdio em atividade atualmente- se deu o trabalho de fazer homenagem ao filme mais famoso deste incrivel diretor.JustificarNa simples história, um garoto, Sosuke, conhece uma peixinha, chamada Ponyo. Esta "peixinha" porém, é filha de um grande feiticeiro do mar, feiticeiro este que possui a capacidade de manter o equilibrio da natureza atráves da força do oceano. Quando Ponyo conhece o garoto estabelece rapidamente uma amizade sincera com ele, contudo o contato com o humano faz o tal equilibrio natural entrar em colapso. Cabe a Ponyo e Sosuke, atráves da sinceridade de sua relação, restaurar este equilibrio.
De fato é uma história muito simples, mas que ganha o espectador pelas lindas imagens. A animação foi toda desenhada com aquarela pelas próprias mãos de Hayao Miyazaki. O resultado, são cores vibrantes durante toda a projeção do desenho. Nós, os espectadores ocidentais do desenho, provavelmente acharemos muito do que é demonstrado ali fora de lógica, sem sentido, mas tudo ali é feito de forma coesa dentro dos padrões de um filme fantasioso; ninguém pede veracidade em um filme que se apresenta desde o começo como sendo nada mais que uma fantasia, e ainda por cima, infantil. Á partir dai refleti um pouco sobre o papel da animação atualmente. E percebi que o perfil das crianças que assistem a esses filmes mudou muito. Um exemplo claro é a comparação de dois clássicos atuais da Disney: A Princesa e o Sapo tentou resgatar o tradicional desenho, com a princesa, o príncipe e o bruxo. A bilheteria não foi péssima, contudo, não foi exorbitante como era com os clássicos de 10 anos atrás. Em contra partida, Toy Story 3, com todas as suas cenas de ações extremamente elaboradas, história densa, faz um sucesso estrondoso.
Neste meio todo entra Hayao Miyazaki, como um defensor de uma tradicionalidade que aos poucos se perde. Importante ressaltar que não deve ocorrer o fim da modernização da animação, muito pelo contrário, porém aquela sinceridade que percebiamos ao ver Rei Leão é continuamente trocada por filmes que buscam apenas o dinheiro, como Shrek Para Sempre. Por isso que a aparição de um personagem do mestre japonês em um filme da Pixar é relevante. A maior contribuinte de criatividade e dinheiro para o estúdio que já foi a fábrica de sonhos do mundo não exita em mostrar que apesar da computação, do roteiro sofisticado, a riqueza sincera de detalhes, a tradição da animação infantil ainda existe.
Por fim, nessa salada de reflexão sobre animações infantis eu percebi também que é o segundo post que falo sobre a infância. Talvez, seja a sensação do fim desse primeiro semestre como um importante divisor de águas. A idéia concreta de que com a faculdade vem ainda mais responsabilidades, e junto com essa idéia a nostalgia de uma época muito mais tranquila, a infância. Depois deste semestre tudo realmente será diferente.
Neste ponto, entra a minha jornada para assistir ao filme na Paulista. A idéia de usar o metrô, de me ver sozinho naquela que é a maior avenida do país, cercado pelos prédios, traz a tradicional sensação de ser pequeno diante do mundo. Em contra partida, trouxe uma sensação muito forte de estar por minha própria conta, de ter que me virar para poder encontrar o lugar que eu queria ir. A trajetória do cursinho, de estudar para poder entrar em uma boa faculdade não deixa de ser muito diferente. Feliz e contente por ter começado bem minhas férias de três semanas eu tento me renovar para o corrido segundo semestre. Prometo ser este o último post sobre transição.

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre Toy Story 3 e Mudanças




Depois de duas tentativas frustradas eu finalmente consegui assistir ao novo filme da Pixar, Toy Story 3. Confesso que antes de ler as críticas e impressões meu medo de ver a Pixar errar era grande, depois de duas obras primas seguidas (Wall-e e Up) a cobrança se torna maior, por isso o medo de não ver um filme à altura do que se espera da casa, sobretudo em uma continuação. Felizmente eu errei.
Toy Story 3 retoma os principais personagens da franquia, alguns poucos são descartados, mas ainda sim lembrados. Utiliza justamente esse descarte para catalisar a trama. Andy, o dono dos brinquedos, está indo para a faculdade e toda sua infância se concentra nos bonecos esquecidos no seu báu. A mudança de vida, de hábitos e o amadurecimento exigem o descarte, a seleção. Quais os bonecos que ele doaria, levaria com ele, deixaria no sotão? A trama do filme se sustenta toda nessa dúvida inicial.
Por uma série de motivos - que caso os contasse já seriam indicados como spoilers - Woody, Buzz e os outros são doados à uma creche. A sensação do lugar ser bom vai aos poucos se dissolvendo à medida que a história vai se demonstrando mais densa do que de fato parece ser. Mais uma vez a Pixar surpreende fazendo tudo o que não se espera de um desenho. Se em Up a velhice era mostrada com cores fortes e alegres, em Toy Story 3 o amadurecimento é sombrio. O momento crucial da mudança, de transpor uma etapa e iniciar outra, além do medo desta etapa não dar certo, é mostrado de uma forma escura.
Evidentemente a história centra-se nos bonecos, mas como dito, tudo o que acontece com eles está ligado à vida de Andy e isto ocorre desde o primeiro filme. Quando Andy se prepara para deixar sua casa e, portanto, passa por um momento de incertezas, os personagens centrais demonstram estas incertezas, seja nas suas atitudades, nos seus pensamentos e até mesmo no seu cotidiano. Inerente ao momento de mudança surge a nostalgia. Lee Unkrich, o diretor, acerta ao inciar o filme com Andy pequeno, ao fundo a música tema de Toy Story (amigo estou aqui...) - venhamos e convenhamos, a nossa geração sabe bem o que ela significa - e aos poucos a música abaixando, se distanciando até o momento que fica inaúdivel. São os ecos da infância que vão se dissipando. Como se ele quisesse dizer ao espectador que cresceu com a franquia: "esquece tudo isso, você cresceu!".
Apesar de todo o clima sombrio que permia a trama ela ainda traz toda a leveza de um filme Pixar. As piadas estão presentes e o filme tem como pontos altos o encontro da boneca Barbie com o Ken e Buzz em sua versão espanhola. Para quem gosta de referências, o filme faz uma ao grande mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro), mostrando como um dos novos personagens um ursinho de pelúcia do filme O Meu Amigo Totoro (outro filme da minha infância). As cenas de ação são extremamente bem elaboradas, com o tempo certo de cada personagem agir e uma trilha sonora muito bem colocada. Além disso, o final possui a sua moral presente, como em todo filme Disney, moral esta muito mais ampla do que apenas o valor da amizade.
E volto a citar Up, que nos faz começar chorando e terminar rindo, Toy Story 3 nos faz começar rindo e terminar chorando. O que me fez encher os olhos de lágrimas é saber que o momento que vivo agora não é muito diferente do que é apresentado no filme. Dentro de alguns meses, provavelmente, estarei vivenciando o mesmo que Andy e tomando a dificil decisão de descartar ou não o meu Woody (um estegossauro chamado Godzilla). É o estranho momento de ver o seu quarto vazio, de saber que aquela sua casa não será mais tanto sua. Ainda assim, será um momento importante, é um momento de amadurecimento que deve ser ultrapassado. O que é antigo, como os bonecos prediletos, não se tornou obsoleto, apenas fez o que deveria no momento determinado. O mais incrivel é que a Pixar mostra em imagens que da infância á velhice, o que sobra dentro de cada um são os brinquedos e, porque não, os nossos velhos conhecidos balões coloridos.


Post sobre Up: http://mosscabranca.blogspot.com/2010/04/estava-assistindo-ao-filme-up-altas.html