
"Nasce a fera e com a pele
que desenham manchas bela
apenas é signo de estrelas (graças ao douto pincel),
quando atrevida e cruel,
a humana necessidade lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto, tenho menos liberdade?"
Confesso. Eu sou preconceituoso no quesito cinema. Tenho muitas ressalvas às capas dos filmes, aos diretores que os dirigem, aos atores e ao estúdio. Mas, muitas vezes, algum desses pontos me mostra o quanto ser assim é perigoso.
Daniel Filho é conhecido pelas duas mais rentáveis comédias do cinema nacional, Se Eu Fosse Você 1 e 2. Alguns de seus outros filmes, como A Dona da História, apresentam um bom argumento, mas são mal desenvolvidos e a história, quando podia realmente começar, acaba. Conhecendo já o histórico do diretor e, não simpatizando muito com ele, fiquei interessado por dois filmes seus, pela história que contariam. O primeiro, Chico Xavier, filme que comentarei mais em breve neste blog, e o segundo, Tempos de Paz.
Tempos de Paz é o tipo de filme que causa estranheza nas primeiras cenas, a tentativa de efeito visualpara compor o Rio de Janeiro na era Getúlio Vargas fica estranha logo de cara. A atuação também não convence logo na primeira cena, e, preconceituosamente, o espectador (ou eu mesmo) já começa a procurar o que mais há de negativo ali. Este filme é um exemplo de que NÃO se deve fazer isso.
Apesar do estranho começo o filme tem um mote interessante. Em sua sinopse oficial o embate entre o chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro e um ex-ator polonês, suposto seguidor de Hitler. O chefe da alfândega (Tony Ramos) propõe ao polonês(Dan Stulbach) que se o fizesse chorar antes que o navio partisse, ele poderia ficar em território brasileiro. Inicia-se um profundo desmembramento entre os dois personagens que se embatem. Ora conhecemos mais do chefe, ora do ex-ator.
Entretanto, a sensação de mornice que o filme trazia no começo é deixado de lado à medida que o filme avança em suas discussões. Os dois atores crescem no filme de uma forma, que ao final, você se prende não apenas à história contada, mas aos gestos de cada um; à entonação na fala dos dois.
Desta forma, Tempos de Paz, é o tipico filme de atores, no qual dois grandes personagens debatem em várias passagens do filme. Passando por temas como tortura, diferanças na linguagem e teatro, o filme chega ao seu ápice em um comovente monólogo de Dan Stulbach.
Claramente simples em sua estrutura Tempos de Paz me conquistou justamente por se transformar ao longo da narrativa. Daniel Filho me mostrou que assistir à filmes é simplesmente deixar ver se aquele filme te conquista ao longo do tempo. O diretor que sabe fazer isso, minimamente, é um bom diretor. Como já diziam alguns diretores; Cinema é a arte de mentir. Mentir tão bem e de forma - paradoxalmente - sincera, que em uma hora e meia você se comove e, tal como o polonês que não quer deixar o Brasil, nós não queremos deixar o filme.
Assista Tempos de Paz.
Daniel Filho é conhecido pelas duas mais rentáveis comédias do cinema nacional, Se Eu Fosse Você 1 e 2. Alguns de seus outros filmes, como A Dona da História, apresentam um bom argumento, mas são mal desenvolvidos e a história, quando podia realmente começar, acaba. Conhecendo já o histórico do diretor e, não simpatizando muito com ele, fiquei interessado por dois filmes seus, pela história que contariam. O primeiro, Chico Xavier, filme que comentarei mais em breve neste blog, e o segundo, Tempos de Paz.
Tempos de Paz é o tipo de filme que causa estranheza nas primeiras cenas, a tentativa de efeito visualpara compor o Rio de Janeiro na era Getúlio Vargas fica estranha logo de cara. A atuação também não convence logo na primeira cena, e, preconceituosamente, o espectador (ou eu mesmo) já começa a procurar o que mais há de negativo ali. Este filme é um exemplo de que NÃO se deve fazer isso.
Apesar do estranho começo o filme tem um mote interessante. Em sua sinopse oficial o embate entre o chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro e um ex-ator polonês, suposto seguidor de Hitler. O chefe da alfândega (Tony Ramos) propõe ao polonês(Dan Stulbach) que se o fizesse chorar antes que o navio partisse, ele poderia ficar em território brasileiro. Inicia-se um profundo desmembramento entre os dois personagens que se embatem. Ora conhecemos mais do chefe, ora do ex-ator.
Entretanto, a sensação de mornice que o filme trazia no começo é deixado de lado à medida que o filme avança em suas discussões. Os dois atores crescem no filme de uma forma, que ao final, você se prende não apenas à história contada, mas aos gestos de cada um; à entonação na fala dos dois.
Desta forma, Tempos de Paz, é o tipico filme de atores, no qual dois grandes personagens debatem em várias passagens do filme. Passando por temas como tortura, diferanças na linguagem e teatro, o filme chega ao seu ápice em um comovente monólogo de Dan Stulbach.
Claramente simples em sua estrutura Tempos de Paz me conquistou justamente por se transformar ao longo da narrativa. Daniel Filho me mostrou que assistir à filmes é simplesmente deixar ver se aquele filme te conquista ao longo do tempo. O diretor que sabe fazer isso, minimamente, é um bom diretor. Como já diziam alguns diretores; Cinema é a arte de mentir. Mentir tão bem e de forma - paradoxalmente - sincera, que em uma hora e meia você se comove e, tal como o polonês que não quer deixar o Brasil, nós não queremos deixar o filme.
Assista Tempos de Paz.
